Ester Bezerra dos Santos (1911-1994)

Nasceu no dia 15 de setembro, em Piaçabuçu, no estado de Alagoas. Trabalhou em plantação de arroz e casou-se com José Brito dos Santos, que era pescador. Após o casamento, sofreu racismo por parte da família de seu marido, que era contra o fato de ter se casado com uma mulher negra. A família migrou para o Rio de Janeiro na segunda metade da década de 1930.

Primeiro veio o marido José para trabalhar numa fábrica de açúcar na zona da Leopoldina. Dois anos depois, veio Ester com os dois filhos mais velhos para morar no bairro de Madureira. Em seguida, mudaram-se para Sambaitiba, no município de Itaboraí, e depois para a Fazenda Mato Grosso, hoje bairro Taquara, em Duque de Caxias.

Na Fazenda Mato Grosso, arrendaram um sítio e praticaram agricultura de subsistência. Plantavam mandioca e tinham uma casa para fazer farinha, que era vendida na feira do centro de Duque de Caxias. No entanto, Tupinambá – um conhecido grileiro de terras – pressionava para que os posseiros abandonassem as terras, para tanto, cortava as cercas e roubava os animais.

Certa vez, os posseiros, cansados das investidas de Tupinambá, se reuniram e foram até o Palácio do Catete ver o presidente Juscelino Kubitschek (JK) e exigir providências sobre seus pleitos na posse da terra e seus direitos. Depois da viagem de trem, cerca de 600 posseiros seguiram da estação Leopoldina até o Catete a pé, mas, chegando lá, descobriram que o presidente JK estava em Brasília, na construção da nova capital. Nesse dia, Tupinambá atacou novamente o sítio.

A família se mudou novamente em 1969. O novo destino foi Santa Lúcia, Imbariê, Duque de Caxias – onde boa parte da família reside até hoje.

Nessa época, Dona Ester trabalhava em feiras de São Cristóvão, Glória, Catete, Rio Comprido e Copacabana. Vendia milho assado, laranja da terra, ervas e temperos. Dona Ester sempre se orgulhou de trabalhar por conta própria na feira, o que fez até os 75 anos de idade, momento em que a diabete se estabeleceu e perdeu parte da visão.

Trabalhou muito. Cuidou de seus nove filhos. Cruzou o século XX.
Projeto Memória Social de Imbariê Dona Ester


Henrique Silveira

Henrique Silveira é geógrafo e mestre em Comunicação e Cultura pela UERJ/FEBF. É o Coordenador Executivo da Casa Fluminense.

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