A atitude do prefeito Washington Reis, da secretária de Educação Claudia Vianna e da subsecretária pedagógica Tatiana Várzea de ordenarem o retorno das aulas presenciais a partir do dia 8 de fevereiro, segunda próxima, foi autoritária, irresponsável e hipócrita.

Autoritária porque não permitiu o diálogo. Os relatos que nos chegam é de que não houve espaço para ponderações. Ademais, foi uma ordem dada na sexta à tarde para se cumprir na segunda às 7h30, como fizeram questão de deixar claro às autoridades. Ou seja, nunca passou pela cabeça ouvir o que diretoras e diretores tinham a dizer. Tentar vender outra versão é debochar da inteligência alheia. Dizer que se está aberto ao diálogo fazendo reuniões entre 14h e 18h para se ouvir 175 participantes é cinismo e hipocrisia. Claro que não se pretendia ouvir o que as pessoas têm a dizer.

Irresponsável porque… bem, qualquer pessoa que não seja negacionista e conheça a dinâmica das escolas, dos transportes públicos e de mobilidade urbana sabe que não é plausível o retorno. O que precisamos fazer é reduzir a circulação do vírus e isso só se consegue reduzindo a circulação de pessoas. Essa irresponsabilidade beira a criminalidade. A abertura das escolas vai expor professores e comunidade à contaminação.

Hipócrita porque para uma atitude autoritária e irresponsável dessas alegam que estão pensando na educação das crianças e dos adolescentes da cidade. Ora, se tivessem algum zelo pela educação dessas pessoas não faziam o que estão fazendo há mais de quatro anos. Nesse período, o atraso dos salários foi institucionalizado. Aliás, é no mínimo suspeito que às vésperas de um ato autoritário e insano desses tenha-se regularizado o pagamento para parte da categoria. Nós do sindicato já cansamos de denunciar o descaso com o capital humano e com a infraestrutura das escolas. Sem querer demorar nos exemplos, há casos de tetos de salas de aula que literalmente caíram.

Isso é o normal do prefeito. E secretária Claudia Viana e da subsecretária Tatiana Várzea não podem ser anistiadas. São cúmplices desse descaso histórico e dessa atitude, repito, autoritária, irresponsável e hipócrita. Não engulo essa história que alguns colegas reproduzem de que “elas até tentam, mas é o prefeito quem manda”. Ora, não existe isso, ou são cúmplices, porque concordam com esse absurdo, ou são covardes, porque não entregam os cargos.

Feito esse desabafo, penso que não temos escolha. Só resta à categoria decretar greve. Uma greve pela vida. Uma greve que é muito diferente das que realizamos antes. Dessa vez, o que propomos não é a suspensão das aulas. Dessa vez, o que defendemos que as aulas sejam mantidas, mas respeitando-se as condições necessárias à preservação da vida, das nossas vidas, das vidas de nossos parentes, de nossos alunos, dos responsáveis de nossos alunos. Ou seja, que as aulas sejam dadas apenas de forma virtual.

Lembrando que cabe ao poder público viabilizar que as aulas virtuais cheguem aos alunos. Não é obrigação de nós, professores. Não é obrigação das direções das escolas. Diferentemente do que prefeito e outras autoridades tem dito, é obrigação do governo garantir o cumprimento do ano letivo. Cabe ao governo, portanto, fazer com que os alunos tenham condições de assistir às aulas. Não cabe aos trabalhadores da educação dar jeitinho, se virar. Não é hora de soluções individuais. Só sairemos dessa coletivamente. Se agirmos como categoria.

No entanto, há também semelhanças em relação às greves anteriores. Essa greve se deve à intransigência do governo. Ela é um momento de luta. Ela é um momento de aprendizado, de formação política, de debate.

Por isso, é importante lembrar que a greve é construída pelas pessoas. Uma greve é forte quando as pessoas participam. Então, se você argumenta ou conhece alguém que argumenta que não só participaria do movimento se fosse uma greve forte, não se esqueça que se você vier, a greve será mais forte. Eu preciso de você na greve. Aquele seu parente que você ama, precisa que você se recuse a dar aula presencial enquanto a durar essa pandemia que já matou mais 20 mil pessoas na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Portanto, em defesa da vida, vamos à greve!
Greve em defesa da vida!

Mateus Mendes
Prof. da Rede Municipal de D. de Caxias
Diretor do SEPE-DC