Os episódios recentes sobre corrupção envolvendo órgãos públicos e empresas, divulgados pela emissora de TV do Jardim Botânico, deixam à mostra alguns aspectos tristes e cruéis da cultura política do país, mas que na verdade não revelam nada que a percepção popular já não registre em qualquer papo de cafezinho nas esquinas das cidades.

O poder das empreiteiras, as “cooperativas” da vida, os fiscais que vendem facilidades, os servidores públicos que já fazem concursos pensando nos esquemas, o ágio, os dez por cento, os políticos à la Justo Veríssimo querendo que o povo se exploda… Há um histórico tão grande e variado sobre o universo dessas sinistras relações que dá vida a todo um imaginário popular já sacramentado. A corrupção generalizada é ativa e é passiva – e nessa suruba o povo sempre entra com a mesma parte…

Mas é preciso deixar pontuado pelo menos um aspecto desses fatos em relação aos respingos na vida legislativa caxiense.

Sim, muita coisa deve ser explicada pelos nobres edis, se é que tem explicação. Mas não devemos perder de vista que isso é a ponta de um senhor iceberg, desses imensos, derrubadores de Titanics.

É só juntar os dados e usar a lógica para compreender que tem muita história mal contada, muito mais do que esse episódio ainda não esclarecido dos carros da Loucanty. É de deduzir que se cavucar aquele mato ali deve sair muito coelho cabeludo…

E uma das hipóteses é pelo menos matemática: pode ser ali um dos ralos generosos por onde o dinheiro da cidade se esvai há tantos anos…

Porque, primeiro: há décadas que a cidade tem um dos maiores orçamentos da América Latina. Mas viver em Caxias é constatar la mierda de qualidade de vida a que os cidadãos são submetidos.

Depois, pense: também há décadas que o legislativo caxiense é composto em sua maioria por figuras completamente equivocadas, bastando para conferir isso, comparecer a uma sessão da Câmara ou acompanhar os “grandes” projetos debatidos na Casa. Além de dar nomes de rua e distribuir moções, o despreparo e o destempero imperam. Fora que a subserviência ao Executivo da vez faz com que o Legislativo pareça ainda mais patético.

Daí a reflexão. Mesmo que o assunto uso do dinheiro público não seja levado em conta, ainda assim fica a constatação de que a cidade do PIBzão é comandada e legislada à moda Sucupira, cidade da novela O Bem Amado, do genial Dias Gomes. Que aqui poderia se chamar Os Bens Amados…

Levando em conta que ainda se compra voto com churrasco e cerveja, dentaduras e promessas de emprego; e que é nos centros sociais dos digníssimos vereadores da vida que o povão vai conseguir uma mísera consulta médica… Infelizmente, o cenário futuro de Caxias é pouco promissor. Socorro.

 


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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