Na boa onda de ebulição em que cidade vem sendo sacudida, eis que volta à atividade o  Jornal de Caxias, publicação criada e editada pelo sagaz jornalista e publicitário Roberto Ruabela Costa, lá em meados dos anos 90. 

Para essa nova fase fui convidado a escrever uma coluna semanal, pequena porém provocante. Ui. E como a única condição minha foi a liberdade para escrever, aceitei de boa e desde outubro tem rodado pela cidade a Pitacolândia, onde faço um apanhado sobre cultura, política e comportamento na cruel cidade de Duque de Caxias, na melhor vibe da nossa querida Lurdinha.

O retorno dos leitores tem sido bem estimulador e é muito bom estar escrevendo ao lado de pessoas que admiro pela qualidade do trabalho e, nesses casos citados, pelo caráter e competência. Falo de André Prestor, André de Oliveira, Alexandre MarquesJP Carpalhau e Arthur William – esses dois últimos, aliás, do time da casa. 🙂

Passo a publicar a Pitacolândia aqui também toda semana e pra começar, colo aí embaixo algumas delas que já rodaram nas páginas do jornal.

Um abraço ao editor Fernando Rocha e vida que segue!

 

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@PITACOLÂNDIA – dezembro 2011

Emocionante a cerimônia de comemoração de 10 anos da revista Pilares da História, que aconteceu na semana passada na Câmara Municipal, local usualmente mal-assombrado por tantas sinistras figuras… Muito bom ver o plenário lotado para dar moral a vários heroicos militantes da Cultura nessa cidade, representantes legítimos do sentimento de transformação e luta por qualidade de vida.

A propósito, a Pilares da História é um capítulo de destaque na virada que a cidade vem dando na última década no sentido de superar os estigmas que tanto massacraram essa terra, principalmente pós-ditadura militar.

Tanto a revista quanto o projeto de funcionamento do Instituto Histórico vêm sendo mantidos e valorizados pelas direções da Casa desde 2001, em um exemplo quase que único de continuidade de algo importante e bom para a cidade. Vale o registro.

Na cerimônia, cujo ponto alto foi o discurso do professor Paulo Mainhard, da Uerj, que calou fundo a plateia, o evento já valeria a pena por reunir um time de historiadores que vêm reconfigurando o que é a História da região. Além de contar com a presença de gente do calibre de Rogério Torres, Guilherme Peres, Mestres Levi e Gegê, Marlúcia Santos, Paullo Ramos, Tânia Amaro… só pra citar alguns. E mais uma pá de gente na plateia que faz a cidade valer a pena.

Ah, e sem falar na professora Martha Rossi, joia caxiense, que, da sabedoria e lucidez dos seus 89 anos, continua encantando a todos com seu alto astral.

Pode crer: Caxias tem História e é rica, hein!

 

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@PITACOLÂNDIA – novembro 2011

Não, amigos, não é exagero dizer que Duque de Caxias, esta cidade louca e cruel, é uma das grandes potências da cultura hip hop produzida no país.

Já há muito tempo que essa percepção vem sendo comentada devido à desenvoltura com que os quatro elementos (rap, graffiti, break e DJ) vêm sendo cultivadas por guerreiros talentosos e perseverantes dessas bandas. Constatação até mesmo pra quem não considerava o hip hop como cultura… 🙂

Mas o atual momento tem sacramentado essa percepção devido à profusão de eventos bem sucedidas e ao destaque que os artistas da cidade vem conquistando cada vez mais.

Este mês de novembro, por exemplo, viu a cidade abrigar dois eventos do mais alto conceito, repercutindo com força no meio: a Cypher na Rua e o Meeting Of Favela.

A Cypher acontece embaixo da Biblioteca Leonel Brizola, na ex-praça do Pacificador, e reune muita gente ligada ao hip hop, sendo que a dança de rua é a principal atração. Foi idealizada e tocada pelo grupo Urbanus, com os DJs Diego Tecnhykko e Paulo PH de frente, e a cada edição tem se consolidado como um evento de peso na cena.

Já o Meeting Of Favela está mais do que consolidado… É simplesmente o maior evento de graffiti do país e acontece sempre em novembro na Vila Operária, trazendo artistas de várias partes do mundo. É um dos exemplos mais bem sucedidos da força da Arte e Cultura como inspiração para construir pontes e aproximar pessoas, envolvendo a comunidade e mostrando na prática o que é a pacificação pela convivência.

Mas, além dos eventos, o rap feito em Caxias também se projeta por conta de seus porta-vozes mestres na palavra e no ritmo. Ainda nesse novembro especial, acabou de chegar na praça o esperado disco de P,10, entitulado Manual Prático de Malandragem. O disco sintetiza com muita suingada a pesquisa que o rapper (e professor e produtor cultural) vem tocando, mixando a cultura rap com a tradição do samba brasileiro e o universo da malandragem. Recomendadíssimo.

E fechando esse apanhado ainda temos o jovem K-Bide; a rapper e cineasta Janaína ReFem, de Santa Lucia para o mundo; e a palavra rápida e envolvente de Slow DaBF, um dos mais conceituados rimadores do cenário freestyle nacional.

Quem ainda não se ligou, vale um pesquisa nos googles da vida e nos rolês em eventos pelo país a fora. A moral da cidade está em alta por aí pra quem quiser ver.

 

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@PITACOLÂNDIA – outubro de 2011

Não seria de se estranhar que o termo Praça Humaitá passasse a figurar como um novo verbete no recém lançado Guia Turístico de Duque de Caxias. Sim, sim: ao lado da ex-Praça do Relógio e da ex-Praça do Pacificador, a Humaitá poderia entrar como A Praça Mais Reformada do Mundo e certamente atrairia grande quantidade de turistas a fim de conhecer os segredos do aprazível e quebradiço logradouro caxiense.

Imagino spots publicitários exaltando as qualidades da praça: Conheça a Praça Humaitá, a Jóia Perene da Cidade das Palmeiras. Ou artistas plásticos fazendo intervenções à moda work in progress. Ou passeios guiados com turistas iraquianos estudando como reconstruir eternamente suas cidades. Workshops de construção civil. Campo de paint-ball.

Namorados fazendo juras de amor “até que tudo aqui se quebre de novo”…

Parece brincadeira, mas é sério: somando aí um governo Adriene do Carmo (ai, que maldade…), dois governos e meio do Amiguzito e ainda de quebra um governo Uóston, temos praticamente umas dez reformas em menos de vinte anos. Isso é que é insatisfação com a coitada duma praça…

Qual será o mistério da Humaitá? Porque diabos ela provoca tanta insatisfação no governante da vez pra viver sendo reformada? Haverá alguma praga contra o local? Testes para o metrô? Será que buscam escavar tanto a praça pra encontrar algum tesouro escondido? Algum armamento esquecido da Guerra do Paraguai? Alguém saberá o real motivo?

Oh, mistérios de Duque de Caxias, a cidade do PIBizão e do IDHzinho…


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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