Quando ainda existia o Estado da Guanabara. Quando Niterói ainda era a capital do Estado do Rio de  Janeiro e Duque de Caxias contava com mais de 230 mil habitantes, foi criado o Instituto de Educação Governador Roberto Silveira. O dia de sua criação, 12 de junho, é bastante sugestivo para o imaginário coletivo por ser o Dia dos Namorados. Já 1962, ano do Decreto que o criou, é lembrado pela explosão popular que se iniciou na cidade e se espalhou pela Baixada Fluminense. O quebra-quebra tornou-se famoso e, junto com ele, a cidade.

O primeiro diretor do Instituto foi Álvaro Lopes, o mesmo que em 1956 contribuiu para a criação do Ginásio Aquino de Araújo e, em 1967, foi um dos fundadores da FEUDUC. Dois importantes espaços educacionais: um público e outro particular, que por falta de ações do poder público, estão definhando.

Antes de se estabelecer definitivamente prédio que hoje abriga milhares de estudantes, o Instituto instalou-se provisoriamente no Grupo Escolar Duque de Caxias e  na Escola Abrãao Lincoln. Esta última era mantida pela Associação Espírita Caybar Schutell. O prédio atual foi ocupado, ainda com as obras em andamento, no ano de 1963. As obras só foram concluídas no ano seguinte.

Antes de receber o nome do governador o Instituto recebeu outras denominações mas, devido a pressão política de lideranças duquecaxienses ligadas ao Partido Trabalhista Brasileiro, foi batizado de Roberto Silveira. Uma justa homenagem ao Governador recém falecido num acidente aéreo. No mesmo ano que recebeu esta denominação o Instituto passou a contar com os Cursos de Formação para o Ensino Normal. Em 1967 suas dependências receberam a Faculdade de Educação da Baixada Fluminense.

Interessante notar que o Roberto Silveira abrigou o primeiro Curso de Formação de Professores e a primeira Faculdade de Educação da Baixada Fluminense. O que ali era praticado se espalhava pelas escolas que atuavam com o antigo ensino primário através dos professores e pedagogos ali formados. A metodologia das aulas, os princípios morais, a forma de se vestir, a maneira de se portar em público e até mesmo de atuar politicamente, foram moldadas nas aulas ministradas por professores dedicados.

Se houve muitas mudanças, muitas coisas ainda permanecem. O andar alvoroçado das jovens vestidas com saias ou calças compridas azuis, com blusas e meias brancas e calçando sapatos provocam grande rebuliço no centro da cidade. Permanecem ainda a expectativa dos baixos salários, as péssima condições de trabalho e a falta de respeito do poder publico com todos os profissionais da educação.

 

Instituto de Educação Governador Roberto Silveira

Alexandre Marques

Alexandre Marques é professor de História. Contato: alxmarques@ig.com.br

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