Modernização dos trens é lenta como “Marias Fumaça” ainda em circulação

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Em junho de 2013, durante a Copa das Confederações, diversos protestos e manifestações explodiram pelas ruas das cidades brasileiras, reivindicando a redução nos preços das passagens, a melhoria do transporte público e a qualidade nos serviços prestados à população. Essa insurgência popular expressa a revolta da população, especialmente da juventude, contra as obras superfaturadas, os desvios de verbas e a falta de diálogo frente as demandas da população. Na mesma direção, os protestos também materializam as lutas pela garantia de direitos e o desejo de maior participação política, indicando amadurecimento da democracia no Brasil.

Quando ajustamos as lentes para observar a situação do transporte público na região metropolitana do Rio de Janeiro, percebemos o tamanho dos desafios, das contradições e das desigualdades. Dos atuais investimentos em transporte público, três dos principais projetos de mobilidade urbana estão associados à Barra da Tijuca: a ampliação do metro, a TransOeste e a TransCarioca. Do ponto de vista dos trabalhadores, será que esses são os trechos prioritários de investimentos? Será que esses investimentos vão desafogar o trânsito na avenida Brasil, na rodovia Presidente Dutra e na rodovia Washington Luiz, principais corredores da metrópole?

O investimento de 8,5 bilhões na expansão do Metrô, de Ipanema até a Barra, é de longe o mais equivocado. A única justiticativa para esse investimento é a valorização imobiliária desses bairros. Ou seja, com apenas uma assinatura, o dinheiro público é utilizado para aumentar as desigualdades sociais no Rio. Na outra ponta do tabuleiro, os trens metropolitanos aguardam investimentos à altura de sua grande malha ferroviária. Apesar da recente aquisição de alguns trens coreanos, ainda falta muito investimento na reforma das estações, na sinalização e, especialmente, na modernização dos ramais de Vila Inhomirim (Raiz da Serra) e de Guapimirim, que até hoje utilizam os famosos trens “Maria Fumaça”.

Apesar dos equívocos mencionados, o cenário é de luta pela evolução nos transportes do Rio. Um exemplo é o Movimento de Aceleração do Transporte Ferroviário (MATF-RJ), formado por usuários e coletivos que lutam há anos pela modernização dos trens nos ramais de Vila Inhomirim (Raiz da Serra), Guapimirim, Magé e Visconde de Itaboraí. Em abrildesse ano, no Centro Cultural de Guapimirim, o MATF-RJ realizou o Congresso Regional Sobre a Revitalização do Transporte Ferroviário, que contou com a presença do secretário Estadual de Transporte, Júlio Lopes, e dos prefeitos de Guapimirim e Magé. Essa mobilização está sendo impulsionada pela criação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ, que demandará investimentos em infraestrutura para se consolidar como novo polo indutor de desenvolvimento econômico e social na região. Apesar da presença das autoridades públicas, nenhum compromisso foi assumido durante o Congresso. Uma pena. Se o Governo do Estado não assumir o compromisso de modernizar esses ramais ferroviários e propor um novo pacto pelo desenvolvimento integrado da região metropolitana, o Rio continuará amargando péssimos indicadores sociais, e sua população continuará padecendo em trens arcaicos e engarrafamentos cada vez maiores.

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Henrique Silveira é geógrafo. Contato: hrqsilveira@gmail.com

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Foto: Blog Transporte Suburbano Fluminense 

Originalmente publicado em http://casafluminense.org.br

 


Henrique Silveira

Henrique Silveira é geógrafo e mestre em Comunicação e Cultura pela UERJ/FEBF. É o Coordenador Executivo da Casa Fluminense.

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