Um encontro, uma foto e umas lembranças boas (com Jorge Pica Pau)

“Rapaz, que coincidência te encontrar agora. Saí de casa hoje com essa foto aqui, doido pra te mostrar”. É o Jorge Pica Pau, amigo querido, uma figuraça daquelas clássicas dessa cidade. Tenho duas entrevistas sensacionais com ele na Lurdinha e que dá pra achar fácil lá no site. Em uma delas tem a história de quando o Escadinha foi no bar dele, um bar que ficou mais de dez anos funcionando vinte e quatro horas; na outra ele conta como ganhou um samba no Bloco do China falando sobre o bicho. Hilário.
A foto em questão é uma surrada xerox colorida de uma foto impressa, saída não tenho ideia de onde; só sei que tem tempo. Mostra ele, eu, o jornalista Eldemar de Souza, o artista plástico Marco Bomfim, aka Marquinho Maluco, o Vidigal, que era cana e tinha um conceito no mundo do samba, e o grande e saudoso Kim. De fato, mesmo com a qualidade bem ruim, gostei muito de ver a imagem.
Marquinho e Eldemar continuam aí aprontando e sempre esbarro nas nossas realizações.
Mas deu saudade do Seu Kim, nome artístico de Joaquim Bernardo da Costa (também chamavam ele de Seu Quinho). Já escrevi sobre ele também. Em seus últimos cinco anos de vida encontrava com ele direto, toda semana, no centro, ou no Gilberto, bar em frente aos Correios, ou no lendário Zequinha, boteco point surreal dentro do Mercado Municipal. Boa parte do que sei sobre histórias do samba e do Carnaval na Baixada aprendi com ele. Era uma época em que eu viajava muito a trabalho e na desorganização acabou que nunca consegui botar pra rolo de fato o projeto de uma entrevista decente com ele. Me arrependo demais.
Pica Pau não tem nem celular, que dirá rede social, por isso não lerá essas linhas, mas sei que ele sabe que estou aqui mandando um abraço e agradecendo por esbarrar com ele por essas noites caxienses.
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[ #croniquinhas, heraldohb, março 2026 ]




