É manhã ainda quando cruzo a Leonel Brizola andando rápido. O povo está nas ruas, normalmente. Uns com máscaras outros sem. O caxiense não tem medo. Não pega nada. Pandemias, na cidade de Tenório, não assustam quase ninguém. O que mete medo mesmo nos nativos caxienses é o nível do rio Meriti.

Encontro Seu Pedro, um velho conhecido de outrora, com sua camisa tricolor que homenageia a Grande Rio. “Está frio, hein Pedrão!”, comento saudando-o com um bom dia. “Que fazes por aqui, menino?”, me indaga ele, com um sorriso repentino. “Estou a ir até o Centro, pagar contas. E você?”

Ele me diz que está indo em São João assinar os papéis da venda duma casa em São Mateus, para um casal vindo de São Paulo. E que, na volta, precisará passar na Vila São Luiz. “Será um dia cheio, menino!”. Muito católico, ele faz o sinal da cruz quando passa em frente à Igreja Matriz de Santo Antônio.

Entramos pela Nilo Peçanha e paramos sob a sombra do busto do Zumbi, onde nos despediremos. Ele ainda avista outro conhecido, que o cumprimenta pelas cores: “Salve, tricolor!”. Dois caxienses típicos, cheios de caxialidade. Não temem Covid nem tiroteio, nem nada. Só as cheias do rio Meriti.

Despeço-me deles, dobro a José de Alvarenga andando depressa e atinjo o coração comercial da cidade. Um dos retratos mais fieis possíveis de Duque de Caxias, a rua-calçadão se notabiliza por seu comércio pulsante. A mesma é famosa até fora do Estado. Já o personagem que a nomeia, nem tanto.

Aliás, quem foi José de Alvarenga? Me pus a pensar, enquanto cruzava o calçadão. Acho que ninguém que passava naquele momento saberia dizer quem foi ele. Mas a rua, que começa na Vila Meriti – parte da cidade que não enche – e ‘deságua’ no Shopping Center (parte que enche), todos sabem aonde fica.

Principalmente o Seu Albuquerque..

Rua José de Alvarenga - Duque de Caxias - foto Alberto Ellobo
Foto Alberto Ellobo./ Cybershot N-2 Sony camera

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@elloboalberto