Nessa semana, precisamente na quarta-feira, tomo posse como membro da sociedade civil, na cadeira do Audiovisual, no novo Conselho Municipal de Política Cultural dessa cidade brutal e embrutecedora que é Duque de Caxias.

Daí que ontem, numa roda de conversa informal, um amigo me perguntou como andavam as coisas e acabei soltando sem querer uma frase que ficou repercutindo depois um tempão na mente, tal a espontaneidade com a qual ela saiu: “o negócio tá tão tenso que não temos nem o direito ao pessimismo”.

Acho que a frase pode resumir um pouco o sentimento com que vou aí encarar essa, de certa forma, furada básica. Furada por vários motivos que vão desde o clima de perseguição aos Conselhos da sociedade civil que está rolando em Caxias até à necessidade de aumentar o tempo pessoal pra correr atrás do pão. (Eu podia era ter juízo e ficar na minha…) Mas, o principal motivo de ser um perrengue estar conselheiro de cultura hoje é ter que atuar numa certa zona de cansaço e descrédito que o segmento tem sentido/vivido. É atualmente muito comum o sentimento de “isso não dá em nada”, “larga esse troço”, “se conselho fosse bom…”.

Não quero nem tentar convencer ninguém a nada, mas vale pontuar que muita gente boa empenhou tempo e tesão nessas lutas e há vitórias, sim. Posso dizer, por exemplo que hoje temos um Plano Municipal de Cultura que é muito bom, fruto de anos de construção coletiva e hoje é lei. A luta é implementá-lo. Conseguimos também, luta de muuuuitos anos, começar um processo de tombamentos de nossos bens culturais, tão massacrados pelos poderes constituídos. Três emblemáticos já foram conquistados, que foi a Escola Dr. Álvaro Alberto, a Mate com Angu; o Ilê Ogum Anaeji Igebele Ni Oman (o Axé Pantanal) e a Roda Livre de Caxias, como patrimônio imaterial. Também vale dizer que agora existe um Fundo Muncipal de Cultura, com CNPJ próprio, com um mecanismo de participação da sociedade civil previsto – e que aliás, já tem uma grana lá. Tem mais algumas outras, mas não vou me alongar; conquistas poucas talvez, mas que são bem concretas.

E tem o seguinte: não posso obviamente falar da metade governamental da composição do Conselho, pois ainda não conhecemos ninguém, mas posso dizer que estou muito contente com o time da sociedade civil que embarca nessa também. Da minha parte, a ideia é costurar e lutar cada vez mais pelo princípio da participação popular, controle social e transparência nas ações, coisas que parecem sempre incomodar os executivos de plantão, na rotina do entra-governo-sai-governo.

Respeito às centenas de pessoas que vêm construindo pontes e possibilidades pra que a Cultura dessa cidade tenha um dia o valor reconhecido.

Como diz o meu mestre Nelson Pereira dos Santos, o maior cineasta vivo do país: “Caxias é a verdadeira capital cultural do país” e sigo nessa trilha de tentar mostrar os porquês dessa afirmação aí.


A posse do novo Conselho é na quarta-feira, 31/01, na Câmara Municipal às 16h, aberta ao público. O horário é ingrato, mas quem puder chegar lá, ficaremos felizes.


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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