É sobre Nova Iguaçu, mas vale o toque pra Baixada toda. [nota da lurdinha]

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manifesto cultura na velha iguassu

Desde 2013, os iguaçuanos vivem uma gestão pública de cultura que não dialoga com o movimento cultural, sabota qualquer forma de participação popular e aplica leis e políticas criadas sem consulta a opinião pública. Por esta razão voltamos a chamar nossa cidade de Velha Iguassú, como nos tempos dos coronéis.
As secretarias de cultura em nossa região atendem a interesses políticos frutos de disputas eleitorais, e desta forma uma política coronelista tem tomado forma na Velha Iguassú.
Houve uma burocratização dos processos de produção cultural na cidade, que tornou a vida dos artistas e produtores bem mais difícil, obrigando-os a realizar suas atividades em outros espaços e municípios, sendo, literalmente, despejados de sua própria casa, que foi ocupada com uma ideia ultrapassada de cultura como evento.
Já na rua os artistas e produtores receberam um triste presente de natal na manhã do dia 24 de Dezembro, quando abriram o Diário Oficial: a nova lei do Fundo Municipal de Cultura, elaborada sem qualquer consulta ao conselho municipal ou a comunidade artística, passando por cima de discussões que perduram a quase uma década na Baixada Fluminense, e se eximindo das responsabilidades deixadas por gestões passadas que prejudicaram diversos grupos e artistas que participaram dos editais.
Se os mecanismos oficiais de participação não são respeitados, a gestão passou, então, a desqualificar os distintos meios de participação eleitos pela comunidade artística, bem como os próprios agentes que, segundo a Secretaria, não possuíam formação necessária para dar opinião. Em reunião extraordinária do Conselho de Cultura, convocada pela Secretaria para tirar dúvidas sobre a nova lei, ficou clara essa postura, onde “as merendeiras não seriam consultadas sobre o cardápio”, a opinião dos agentes não foi ouvida e nem respeitada.
Em um momento único, em que a cena cultural e artística da Baixada Fluminense se consolida em uma intensa e excelente produção cultural e artística, nós, trabalhadores e trabalhadoras da cultura da região, reafirmamos sermos os legítimos gestores de cultura que construíram, constroem e irão continuar a construir essa casa. Por que governos e gestões passam, nós ficamos!
Essa gestão precisa RESPONSABILIZAR-SE pelas funções a si atribuídas como Poder Público, com respeito e transparência!
Precisa incluir na sua agenda os meios de participação eleitos pela comunidade artística!
Precisa dialogar OFICIALMENTE com o movimento cultural, pois só existe cultura através dos artistas, produtores e público!
Os trabalhadores e trabalhadoras da cultura local foram despejados da casa, qual construíram com suas próprias histórias: a Cidade de Nova Iguaçu! E esse é o maior símbolo do momento de retrocesso que vivemos hoje na cultura na região.

Queremos a chave da nossa casa de volta!

Assinam:
Baque Da Mata
Canoa Coqueira
Cineclube Buraco Do Getúlio
Let’s Pense
Movimento Enraizados
Nova Iguaçu Eu Te Amo
Pirão Discos
Roque Pense
Terreiro de Ideias,
Tililingo Di Pingo
Conexão Baixada Rock n’ Roll
Sunday Rock
Pagufunk.