Parte 3

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Das representações – o Conselho Municipal de Cultura

A cerimônia de posse do novo conselho aconteceu no último dia 21/05, no plenário da Câmara Municipal, e ficou no terreno do burocrático apenas; e alguns sintomas apontam para uma gestão com até boas intenções, mas sem trazer uma marca que aponte para a efetivação de sua atuação.

A própria escolha do lugar da posse parece um indício de que ousadia não será muito esperada… Sempre digo, e disse aos conselheiros com quem conversei no dia: desconfio muito de eventos culturais em que não há comida e bebida… Pode parecer um comentário leviano, mas basta sintonizar no canal ancestral da cultura do país para entender que faz maior sentido. Fora que, se a intenção era marcar o espaço institucional, a escolha não foi muito feliz: a cerimônia não contou com a presença de nenhum vereador, justamente essa espécie de pessoas das qual o Conselho terá que manter uma interlocução importante.

Dos sintomas ruins (sintomas, frisando bem aqui) captados na cerimônia de posse alguns são muito flagrantes. O primeiro: a ausência do prefeito e de vereadores da Casa. O prefeito foi representado pelo Secretário de Planejamento e Urbanismo, Luis Edmundo, figura reconhecida em administração pública, conhecedor das máquinas e quadro forte de articulação política. Mas, que não disse nada de mais relevante do que um discurso meramente burocrático. Idem para o secretário Jesus e a Dr. Marlene D’Almeida. Fábio Gonçalves, jovem promissor no campo da História da região, que representou na mesa os novos conselheiros, ficou nervoso e acabou ficando também em um discurso raso. E o subsecretário, o amigo André, de quem eu imaginava que fosse fazer algum apontamento com conteúdo mais analítico, nem mesmo trouxe uma contextualização histórica necessária para o momento. Ninguém apresentou nada com consistência ou apontamento concreto.

Como cerimônia política, sem falas com profundidade e com plenário vazio, em se tratando do evento que era, a posse foi um evento fraco politicamente. Lógico que para os novos conselheiros o clima era de festa, embora o coquetel do final tenha sido a bico seco. Aliás, evento cultural SEM NENHUMA atração cultural…

Outro sintoma digno de nota já tinha sido sentido na pré-conferência e na conferência: a pouquíssima adesão da classe artística ao processo. O próprio conselho não tem nenhum artista em sua composição. Quem me conhece há um tempo sabe que tenho muito em conta uma das três dimensões da Cultura, que é o aspecto da Cultura como direito; sempre acho que as pessoas devem participar de todas as instâncias culturais abertas. Mas, um Conselho de Cultura sem nenhum artista é um sintoma preocupante…

Aliás, um comentário maldoso (o primeiro e único proposital deste texto): engraçado como agora todo mundo é da Cultura, né?… hehe. Parece que descobriram um novo filão.

Mas o fato é: o Conselho tomou posse, é legítimo, e as reuniões já tem data para acontecer. O processo de implementação do Sistema Municipal tem que ser retomado e verbas federais precisam disso para chegar à cidade.

A primeira assembleia ordinária foi convocada com uma razoável antecedência e isso é um bom sinal. A sociedade civil pode acompanhar as reuniões, mas o conselho antigo costumava enviar convites de um dia para o outro, às vezes no mesmo dia, às vezes dia nenhum…

Essa avaliação vem no sentido de não perder de vista que o esvaziamento das conferências, e da própria posse do novo conselho, representam um cansaço do segmento cultural, principalmente da classe artística, com as pífias atuações dos governos em relação à área. É pra ficar atento.

Aqui na Lurdinha você poderá ser informado das datas das reuniões do Conselho.

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Das representações – vereadores

É patente que o corpo de vereadores da cidade não tem nenhuma afinidade, conhecimento, interesse na questão cultural. Pelo menos é o que se percebe acompanhando os canais de comunicação de seus gabinetes, suas falas públicas e pelo fato de que raramente você vê vereador em eventos culturais em Caxias. Salvo raras exceções, o que praticamente confirma a regra. Nesta legislatura, sei do apoio de Osvaldo Lima ao MoF e a uma parte do movimento hip hop, e já vi o Moa em alguns eventos, poucos, basicamente eventos chancelados e/ou organizados pela prefeitura. No dia a dia mesmo, no front dos guerreiros culturais, nada de nada.

Não que isso faça faaalta… Mas também é sintoma de que a Cultura não tem mesmo força política na cidade e que infelizmente não há um vereador que possa ser considerado o cara da Cultura na casa.

Em um contexto em que há décadas que são os artistas que colocam a cidade nos noticiários de forma positiva, sem ser nas páginas policiais, é lamentável que esse quadro ainda se mantenha. E pensando na implantação do Sistema Municipal de Cultura, o diálogo com o legislativo vai ter que rolar, sob pena do ônus de uma possível perda de verbas federais ficar também no colo da atual vereança.

Aliás: você lembra em quem você votou para vereador na última eleição?

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heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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