Comecei a frequentar shows em eventos de pequeno porte no final dos anos 80 e dessa época até o início dos anos 2000, o que mais se via nestes shows eram bandas que investiam em um trabalho próprio, autoral. Era um cenário muito diferente do que é visto hoje em dia, onde para chamar um público maior, o produtor cai na armadilha de convocar várias bandas covers entupindo o evento com esses grupos cuja maioria tem uma qualidade (?) desprezível, o que resulta em certo descrédito em relação ao evento promotor.

Eu não vou citar neste texto as bandas que mesmo tendo participado do underground, se tornaram conhecidas lançando discos por algumas gravadoras. Aqui vou me focar em destacar os nomes das bandas que tocaram nos mais diversos lugares, onde quer que fosse e para o público que fosse! Eu quero aqui, resgatar das malditas teias de aranhas que infestam a minha memória, os nomes de algumas bandas que eu vi e gostei do trabalho. Bandas que alguns de vocês, poderão também se recordar e muitos outros irão se espantar com a quantidade de gente que já tocou por aí e fez certa História na nossa memória.

Vou começar por um trio do Rio chamado Cabeça, que apresentava um Hard Core maluco e com muita adrenalina no palco! Emendando na loucura HC, não posso esquecer da saudosa V.N.S. (Vumitando no Sistema), banda punk do Méier/Riachuelo, onde o vocalista Maurício com seu cabelo espetado à satélite, nos brindava com uma apresentação digna das pioneiras bandas de punk britânicas, como G.B.H. , Discharge ou Exploited. Completavam a banda, Leonardo “Menor” no baixo, Gago na bateria e Maluco na guitarra. O V.N.S. tocou e fez nome pela Baixada Fluminense e chapou em bares e festas com a turma de Caxias/São João de Meriti.

Por falar em Duque de Caxias, este município foi palco de eventos importantes para o underground fluminense. O saudoso bar Tutti-Frutti, na 25 de Agosto, recebeu ali bandas como Cuspe na Mente, Cirrose, Ocaso e Sol do Sul, que até hoje mantém vivo o seu legado tocando seu Classic Rock and Blues de qualidade por vários lugares. Em Duque de Caxias também houve festivais maravilhosos como o Rock in Vila, na Vila São Luís, Rock in Bilac e o Rock in Duque, no colégio Duque de Caxias estadual.

Pela Baixada ainda lembro e muito bem, pois adorava, do Expresso Apocalipse! Que shows! Nessa banda tinha o baterista do Reprecaos de Anchieta, que também fazia um HC muito bom! Seu vocalista, Lobo, um cara muito legal, morreu enquanto assaltavam o seu bar. Um triste final. Da Reprecaos ainda lembro do guitarrista Zero, um figuraça que nunca mais vi mas tenho muita saudade! Anchieta também foi o berço de uma banda que fazia um Death Metal bem brutal, chamada Purgatory! A última apresentação que vi deles foi no extinto Garage, na Praça da Bandeira já faz muitos anos!

De Nova Iguaçu, lembro de duas bandas: A Detrito Urbano, que fazia um HC bem agitado e a Ballantimes Blues Band, que nos chapava com seu som lá do Mississipi! E por falar em Blues, não posso deixar de fora a Blues Deluxe, de Heraldo Fonseca, herói da guitarra de São João de Meriti e que nos anos 80 fez nome com uma banda de Metal muito boa chamada Calibre 38. A Blues Deluxe, assim como a Sol do Sul, continua na ativa e vale a pena procurar informações e contatos dos caras.

Voltando um pouco a Duque de Caxias, nos anos 90, tivemos também o Punk Rock de Os Embriões, de Anderson Andrade que estão na ativa após tantos anos e formações. A Political Speech, de Luciano Félix (vocal e Baixo), Zico e Beto (guitarras) e Fernando (bateria). Eles apresentavam um Thrash Metal bem forte e tenho até hoje a demo tape, save our souls! Desta época também tive participação com a Leptosnoise, onde junto de Henrique e Márcio Rex (guitarras), André Belfi (baixo) e Yba (bateria), fizemos uma base de apenas sete shows, onde misturamos em uma anárquica alquimia, elementos de Death Metal, HC, Thrash Metal, Reggae (?!!!?) e Grind Core com vários litros de licor de menta e cerveja em apresentações pra lá de insanas!

Neste período conhecemos também a turma de Magé com a banda Tornokrê, de Adriano (baixo/vocal), Gustavo Fraga (guitarra) e João Paulo (bateria). Do bairro do Flamengo, lá do Rio, também viemos a conhecer em um show no Bar do Juvenal, em São João de Meriti, a banda Hell Vomit de Ed Vomit, Cris Vomit e Cesár Grind, que tocavam seu grindcore também muito insanamente e se tornaram nossos irmãos de palcos, bebedeiras e aventuras! Bons Tempos!

E não foi só no Hell Vomit que havia mulheres fazendo barulho, também houve bandas como a Toxoplasmose, Trinity (ambas só de mulheres), a Moléstia e a New York Vampires!
Ainda pela Baixada Fluminense muitos nomes despertaram atenção como Devoration do falecido e saudoso vocalista Júnior, War of Feelings, Repugnante Gore, Master, O Mundo Se Acabando, Velho e tantos outros nomes que não cansam de surgir! Bandas que investem em um som autoral e batalham para ocupar o seu merecido espaço! Cabe a todos nós, público, músicos e produtores de shows e eventos, saber valorizar e apoiar essas pessoas que lutam por algo verdadeiro e representativo!

Para finalizar, eu só peço que me perdoem quem ficou de fora, porque, espaço, tempo e memória são coisas muito pequenas em uma faxina tão grande!
Abraços a todos de Gutemberg F. Loki.

Seguem as fotos das Demo Tapes de Political Speech, Hell Vomit, Detrito Urbano, Toxoplasmose e Blues Deluxe.

demo-Political-Speech demo-blues-deluxe demo-taxoplasmose

demo-detrito-urbano demo-hell-vomit