Por uma política municipal de Livro e Leitura

Na sexta-feira passada (22/03), na Biblioteca Leonel Brizola, foi apresentada a política municipal de Livro e Leitura de Caxias. Um momento importante, resultado de um acúmulo de forças (modesto) do movimento popular da cidade, que conseguiu colocar na agenda municipal um tema tão caro como o Livro e a Leitura. Sobre esse assunto tenho três considerações a fazer.

O primeiro ponto é a presença do professor Antônio Carlos na direção da Biblioteca Leonel Brizola e na coordenação da política municipal de Livro e Leitura. Antônio possui uma caminhada séria no movimento popular. Fundou a Biblioteca Comunitária Solano Trindade, no bairro do Cangulo, desenvolveu um trabalho de referência em parceria com diversos colaboradores e foi reconhecido pela coordenação do Plano Nacional do Livro e Leitura. Além disso, o Antônio e a Biblioteca Solano Trindade foram os principais mobilizadores e articuladores das discussões que culminaram no 1° Encontro Municipal do Livro e Leitura, em julho de 2011. Por esses e outros motivos, é bom ver alguém com bagagem migrar da sociedade civil para o governo com a missão de construir e implementar o Plano Municipal de Livro e Leitura (PMLL) na cidade de Duque de Caxias.

O segundo ponto é a necessidade descobrir, mapear e dar visibilidade às bibliotecas comunitárias, às salas de leitura, aos mediadores, aos contadores de histórias, aos saraus e às várias iniciativas de promoção da leitura que existem pela cidade e não são reconhecidas. É necessário mergulhar na cidade e buscar as práticas de mediação de leitura desenvolvidas por diversos protagonistas para registrá-las e multiplicá-las. Vale destacar que já está em marcha uma parceria entre o Instituto C&A e a Rede de Bibliotecas Comunitárias de Duque de Caxias com o objetivo de apoiar técnica e financeiramente quatro bibliotecas comunitárias da cidade. A cidade precisa se conhecer mais e investir nas suas potencialidades. É preciso investir nas pessoas.

O terceiro ponto é uma aposta nos próximos capítulos da movimentação política e cultural. Acredito que a mobilização para reuniões do PMLL nos quatro distritos, a conferência municipal do Livro e Leitura, a dinamização da Biblioteca Leonel Brizola, o chamado aos escritores da cidade, – somado à criação da Caxias TV e o agito dos movimentos culturais – são elementos capazes de mexer com o lodo no fundo da bacia. Um chamado para assumirmos algumas responsabilidades com a cidade e ampliarmos nossa articulação em rede. Um farol que possa atrair novos personagens e apontar caminhos para a construção de políticas públicas na cidade.

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contato: hrqsilveira@gmail.com

Biblioteca Municipal Leonel Brizola
Biblioteca Municipal Leonel Brizola – foto: Henrique Silveira

 


Henrique Silveira

Henrique Silveira é geógrafo e mestre em Comunicação e Cultura pela UERJ/FEBF. É o Coordenador Executivo da Casa Fluminense.

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4 thoughts on “Por uma política municipal de Livro e Leitura

  1. Márcio,

    Entendo sua preocupação.
    Nossa cidade possui tão poucos exemplos de gestores públicos competentes e de políticas públicas construídas com participação social, que a desconfiança vira a regra e o descrédito é a norma.

    Eu sou de Santa Lúcia (Imbariê) e conheço a Casa Brasil. Sempre acompanhei as movimentações da Casa. As vezes tinha um grupo mais sério na coordenação, outras vezes a incapacidade de gestão era maior.

    Por esse e outros absurdos da administração pública na cidade que precisamos bater na tecla da política pública construída com participação popular. Essa tarefa não é fácil. As vezes damos um passo para frente e quatro para trás… Essa luta POLÍTICA não é fácil, mas precisamos realizar um bom combate para conquistarmos algum avanço REAL e não apenas propaganda para o governo…

    A próxima reunião do PMLL será no 3° distrito, na FAETEC de imbariê, sábado, dia 04/05 das 9h às 12h.

    Precisamos envolver o máximo de pessoas para que essa política de Livro e Leitura tenha força política e alcance resultados reais.

  2. Putz… Baita pedrada essa do Márcio. Não estou acompanhando o processo, mas todo aparelhamento é ruim e faz com que o foco seja invertido… Espero que não esteja ocorrendo isso….\o/

  3. Henrique Silveira:

    Os problemas do prédio da Biblioteca Pública de Imbariê deveriam ser um dos pontos mais importantes. Foram mencionados na apresentação do programa ou política do livro e da leitura? E a falta de bibliotecários e de técnicos em Biblioteconomia? Foi discutido esse assunto?

    Mesmo que tudo isso tenha sido tema de discussão, o programa, a meu ver, só será um sucesso para uma reduzidíssima minoria de politiqueiros, que conseguirão notoriedade com um programa de meia tigela, o qual, em verdade, deverá ser apenas mais uma maquiagem (que certamente poderá desviar a atenção que deve ser dada às mazelas da Cultura deste desgraçado município).

    Na minha opinião, não será um programa criado com intenções politiqueiras o que fará com que o povo de Duque de Caxias goste de ler livros. Ele, o programa, é muito bom para quem quer preencher páginas de jornal, mas é péssimo para quem quer fazer com que uma população tenha o hábito de ler livros. Não há margem para que seja dada importância à cultura num programa feito por gente que só se importa com o próprio umbigo, com os votos e com a imagem do governo.

    E ainda há o fato de as bibliotecas municipais serem cabides de emprego. Trabalhei na Biblioteca Pública de Imbariê, onde podia conciliar as obrigações de funcionário com os trabalhos da faculdade de Letras. Eu cumpria certas tarefas, tais como: consultar enciclopédias; fornecer aos usuários os compêndios que lhes pudessem ser úteis; emprestar livros de ficção; verificar as fichas de empréstimo dos usuários; auxiliar estudantes; devolver os livros às prateleiras sem desprezar a ordem certa. Contudo, não fui contratado este ano. No meu lugar, trabalha uma pessoa que é cabo eleitoral. O único “mérito” dela, segundo as minhas impressões, é ser cabo eleitoral. Acho que isso só não é mais absurdo do que o foi escrito na minha carteira de trabalho. Nela, lê-se: “Auxiliar de SERVIÇOS GERAIS XIV” (!).

    Já caiu um pedaço do teto do corredor de acesso à Biblioteca de Imbariê. (O corredor e a biblioteca ficam na Casa Brasil.) Quando chove, há risco de o chão ficar cheio de água. Já se perderam livros por causa da água da chuva. Como será posta em prática uma política da leitura e do livro, se há um estado de coisas tão revoltantes?

    Diante do exposto, conclui-se facilmente que não há preocupação verdadeira com a cultura. Se o programa conseguir votos e ajudar a compor uma bela imagem do governo, terá atingido seu objetivo, que é NOJENTO.

    Ademais, é muita ingenuidade esperar que os que detêm ou querem o poder criem políticas cujo objetivo seja o de promover a leitura de livros. Segundo a crença de todos, essa leitura é fundamental para a ascensão social e para a formação de pessoas críticas. Tal formação é uma circunstância indesejável para os que detêm o poder político.

    Se forem extintos os partidos políticos, e houver pessoas preocupadas tão só com o bem de todos, nenhum grupo tirará PARTIDO do povo usando politicagens relativas à (quase mística) importância do hábito de ler (livros). Enquanto isso não acontecer, restar-me-á a certeza de que não temos nem bibliotecas decentes (a Leonel Brizola é um caso à parte; sua função principal é a de ser a imagem de um cartão postal), nem profissionais de Biblioteconomia suficientes.

    Eis o que eu queria dizer.

    Saudações.

  4. Caro Henrique Silveira, o artigo sobre política do livro, é de uma importância socialmente relevante. Vamos sim fortalecer esta corrente, dando visibilidade às iniciativas do movimento popular que de forma heroica e abnegada mantém algumas bibliotecas ou salas de leitura, como alguns preferem chamar. Nenhuma mudança ou transformação social acontece sem que a EDUCAÇÃO não seja a porta de entrada. E como diria o grande escritor brasileiro Gilberto Freire – Todo poder e saber sem um fim social, resume-se em futilidades – Viva a leitura e que seja real uma política municipal do livro, no sentido de estimular o hábito da leitura, para o despertar de uma nova consciência!!! Viva o cidadão do futuro!!! – Abraço – J. Arimatéia Ferreira

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