O medo da morte é parte da natureza humana, o fim indesejado, a hora final, onde abrimos mãos de tudo o que temos, incluindo os nossos entes mais caros e os nossos sonhos mais dedicados. São poucas as situações onde as pessoas ficam confortáveis diante da morte, mesmo assim, existem. Seja num leito terminal ou na certeza da missão cumprida ou do sacrifício necessário. Hoje, através dessa pandemia de Covid-19, todos os dias, ouvimos nos telejornais ou em notícias que de outras formas nos chegam, de pessoas por nós conhecidas ou não, que acabaram por falecer vítimas dessa doença. Entre essas vítimas, estão pessoas que por serem profissionais de Saúde, optaram por ajudar as pessoas, mesmo possuindo restrições que as colocam em grupos de risco. Estar na linha de frente, é um ato corajoso de humanismo, de entrega ao cuidado de quem precisa, e isso, jamais pode ser desvalorizado.

Mas a morte não deve ser vista apenas por esse sentido físico, onde o corpo falece. E o medo pela morte, é comum também quando representa o desafio do fim de uma situação confortável de nossas vidas em prol de algo que pode nos ser satisfatório, embora não tenhamos qualquer garantia de segurança. Passamos por muitas mortes em nossas vidas, fim de relacionamentos amorosos, profissionais ou de convivências. Muitas vezes, pensamos que algo não nos faz bem, que temos que mudar, mas sentimos medo. Somente quando optamos pela ruptura, mesmo caindo em um poço de sofrimento, é que aos poucos começamos a nos fortalecer e colocar nossos passos no caminho que precisamos seguir, o caminho que nos espera a felicidade. A vida é um ciclo de nascimentos, crescimentos, mortes e renascimentos contínuos. Não deixe de prestar atenção nos sinais que a vida mostra, mas não tema tanto enfrentar suas mortes, seja prudente e analise tudo o que sente e deseja, se o fim for necessário, não o recuse.

Abrace o fim e o entenda, logo o caminho estará aberto e claro à sua frente. Rupturas são tão precisas, quanto o ar que respiras.


Gutemberg F. Loki “Tubarão”