Maracanã 70 anos: o Fla X Flu das Diretas – 1984

A minha primeira vez no Maracanã foi na Taça Guanabara, em 23 de Setembro de 1984; mulher repórter não podia entrar no campo, ou em outras dependências onde só os atletas e equipe técnica circulavam. Para nós sobravam as tribunas, ou onde os torcedores podiam ter acesso. Fiquei na Tribuna da Imprensa, ao lado do tricolor Anísio Abraão David, que quando viu minha camiseta ficou dizendo que a nossa TV Olho era do Hydekel Freitas Lima, prefeito de Duque de Caxias na época, e eu argumentei dizendo que não. No final ele se convenceu.

O movimento uniu o Clube à questão nacional junto à população nos últimos dias do regime militar
Na época o presidente do Brasil era João Baptista Figueiredo que havia declarado a sua simpatia pelo Fluminense, inclusive recebendo a faixa de campeão estadual de 1983 do Fluminense, no Palácio do Planalto.

O Maracanã estava repleto de faixas contra Maluf e a favor de Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática e das Diretas.

No intervalo da partida, novas manifestações políticas por parte das torcidas: a do Flamengo estende a faixa: “Maluf não, Tancredo é a solução”. A do Fluminense provoca com outra faixa: “O Fla não malufou”. Em prol das Diretas, a Falange Rubro-Negra distribui fitinhas amarelas entre a torcida, símbolo das Diretas Já.

Ficha Técnica:
Flamengo 1 x 0 Fluminense
Data: 23 de setembro de 1984
Local: Maracanã
Público: 99.898 pagantes
Árbitro: José Roberto Wright
Gol: Adílio (20′)
Flamengo: Fillol, Jorginho, Leandro, Mozer e Adalberto; Andrade, Élder e Tita;
Bebeto, Nunes e Adílio.
Técnico: Zagalo.
Fluminense: Paulo Vítor, Aldo, Duílio, Ricardo e Branco; Jandir, Delei e Assis;
Romerito, Washington e Tato.
Técnico: Luís Henrique.


Sílvia de Mendonça

Formada em jornalismo e produção cultural, Sílvia de Mendonça também é atriz e ativista do Movimento Negro Unificado (MNU). Também tem presença nas lutas contra intolerância religiosa, juventude negra e direitos humanos.

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