DEZ ANOS DE “PRIMEIRO A GENTE TIRA A DILMA”

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DILMA

Hoje são dez anos daquele fatídico julgamento no Senado onde foi sacramentado o golpe que tirou do cargo a primeira mulher eleita presidente do Brasil, reeleita em 2014 com 54,5 milhões de votos. Um teatro de horror só comparado à votação na Câmara em abril daquele mesmo ano.
Mas daquela sessão de cartas marcadas, é inspirador lembrar de Dilma Roussef ali, altiva, oito horas em pé, se defendendo com a maior dignidade e coragem, coisa que nenhum desses machinhos valentões aguentariam nem um décimo daquela pressão.
Dez anos de uma fraude e da conclusão de um golpe violento que jogou o país ladeira abaixo e abriu caminhos para a extrema direita e sua sanha assassina.
Dez anos que a funesta “ponte para o futuro” se impôs ao voto popular e deixou claro a que veio: implementação da agenda de destruição da nossa economia pelos capachos do imperialismo estadunidense, a destruição da dignidade mínima do trabalhadores, congelamento de investimentos sociais e a garantia da manutenção da impunidade.
E foi tanta vergonha naquele dia que não tiveram a coragem de cassar os direitos políticos da presidenta, sobre a qual tiveram que admitir não haver nenhuma denúncia de corrupção.
Dúvida que nunca tive: independente da “falta de jogo de cintura” de Dilma, argumento sofrível da época e ainda propalado, seus acertos é que foram demais para o carrêgo pesado que o país tem por conta de suas elites atrasadas.
E os motivos me parecem fáceis de auferir, a começar pela assinatura, em 2011, da criação da Comissão Nacional da Verdade, que tinha por objetivo investigar os crimes cometidos pelos militares durante a ditadura, fato que bota o dedo numa ferida purulenta do Brasil.
Some-se mais quatro que são batata: autonomia (Brics+pré-sal); Mais Médicos (ah, esses malditos cubanos que “nem tem cara de médicos”); o nunca tolerado e sempre questionado Bolsa Família e a PEC das empregadas domésticas, projeto que vai no coração da memória escravista de grande parte da nossa classe média metida a besta.
Nunca foi contra a corrupção, nunca foi “pela família”.
SEMPRE FOI ÓDIO DE CLASSE.

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[ @heraldohb – pitacolândia – agosto de 2026 ]

heraldo hb

heraldo hb

Cineasta, animador cultural, escritor e educador nascido no século XX

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