Festa Literária de Duque de Caxias – só um toque
Como é uma quinta-feira e anda por aí esse curioso hábito de publicar fotos à guisa de tebetê, com lembranças imagéticas, aproveito pra publicar algumas e deixar público um reparo que julgo importante aqui por Dallas.
Já adiantando que acho um horror essa prática política calcificada de apagar tudo o que governos passados fizeram, mesmo, e talvez principalmente, quando é coisa boa. A ponto de ter casos que soam até engraçados quando os mandatários de plantão exageram no “nunca antes nessa cidade…”, “pela primeira vez e tal…”.
O reparo é esse: comecei a esbarrar ontem com notícias de que vai haver a primeira Festa Literária de Duque de Caxias e isso não é verdade. Torço para que tudo dê certo, já vi que tem nomes muito legais confirmados, certamente serei público entusiasmado, mas não posso faltar com a verdade. Já tivemos uma grande Festa Literária e tem exatos 10 anos dessa edição.
E lembro com enorme carinho porque além de grande participação popular, houve muitas presenças de escritores importantes, muitas atrações e principalmente, muita roda de conversa. E com valorização real de escritores da região – o que espero que também aconteça nessa. Na ocasião, pude falar sobre meus livros até aquele momento, o Engenharia de Aviãozinho e o O Cerol Fininho da Baixada, tendo retorno direto, ao vivo, no calor, de um público bastante receptivo.
Revendo essas imagens recordo de momentos incríveis com pessoas queridas, como meu amigo Renato Noguera, com quem dividi na ocasião um livro recém lançado, Rio 2065, publicado pela Casa da Palavra. Lembro de conversas instigantes com mestres como Paullo Ramos e Dauá Silva; trocas intensas com os talentosíssimos Cláudio Aragão e Hellenice Ferreira. Encontros cheios de paixão com meus saudosos parceiros João Carpalhau e Écio Salles. Sem falar dos grupos de teatro, circo (ai, o querido Sol Sem Dó), músicos e contação de histórias.
Essa coisa da descontinuidade das ações por conta de disputas palacianas é uma praga no país e por aqui parece ainda pior. Pensar que já podíamos ter uma Festa Literária longeva, com mais de dez anos, o que provavelmente teria um impacto considerável na formação cidadã da população local, podendo se tornar inclusive uma atração turística tradicional e concreta na cidade.
Décadas na atividade cultural por aqui e, olha, é lamentável constatar como tem coisas que não mudam, entra governo, sai governo. Cultura, que é uma das maiores riquezas da Baixada Fluminense, nunca foi prioridade por essas bandas.
Mas, vida que segue e dindindin lá vai viola. Que seja uma boa celebração da Literatura – estamos precisando mesmo de mais Arte.
[ @heraldohb – pitacolândia – agosto de 2026 ]


