BATUQUE-GUABIROBA

(para Jorge Guabiroba e sua percussão)
Meu Deus, que batuque é esse?
É som de negro, é senzala
É som que vem da favela
É Quilombo, é quilombola.
E a cada vez que batuca
A raça não se controla
A tribo fica maluca
O cativo se rebela
O pé na cara resvala
– feitor cai e se machuca.
Meu Deus, que batuque é esse
Que estremece toda a taba?
Se é couro, é de tatu-peba
Se for madeira, é peroba.
Batuque assim não é pouco
Não tem tempo, nem se acaba
Resiste, que nem pindoba
E ao vento não desaba.
Batuque, coisa de louco…
É Batuque-Guabiroba.
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Eldemar de Souza, em O Olho do Pai de Vidro
Jorge Guabiroba

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