Se pensar aí uma meia dúzia de palavras que poderiam definir a cidade de Caxias, Baixada Fluminense, uma delas poderia ser tranquilamente aglomeração. Ou dizendo de outra forma: todo dia é Natal no calçadão de Caxias. Não é à toa que é um paraíso para as grandes cadeias do comércio varejista; qualquer coisa na cidade rapidamente vira enxame de gente, nem que seja só pra ver o que é que está se vendendo. Tudo enche de gente. Parece da natureza do local mesmo, sei lá.

E daí que estamos numa pandemia que cresce em escala violenta e no centro da cidade hoje essa informação só pode ser lembrada pelas máscaras que ainda se vê nas faces ávidas que circulam alucinadamente.

É desesperador.

Duque de Caxias está entre as quatro cidades com maior número de infectados e a segunda em número de mortos do Estado – sem nem levantar o assunto da subnotificação. E ainda assim tudo prossegue como se nada estivesse acontecendo. E ainda não chegamos nem no pico da doença no país. É desesperador.

A multidão aglomerada no centro da cidade ilustra macabramente um misto de ignorância com descaso, com desinformação, com o eco da ação nefasta do governo, com o consumismo frenético, com a cegueira contra a ciência, com a desesperança, o negacionismo e o foda-se tudo. Sei lá, é desesperador.

Sinistra a sensação de impotência e tensa a visão, o prenúncio, de dias piores nas próximas semanas. Infelizmente, a cura para a doença não virá das igrejas, como já disse o prefeito daqui em certa feita, e nada indica que teremos um improvável milagre.

Pelo contrário, tudo leva a crer que teremos um Natal muito amargo esse ano. É triste.

[ heraldo hb – pitacolândia – junho de 2020 ]


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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