Edinha e sua neta Laura Maia. Foto: Arquivo família

Há dez anos nos deixava a companheira e professora Edna Maia Nunes (1950-2010). Edinha era pernambucana e assim como muitos nordestinos, escolheu Duque de Caxias e a Baixada Fluminense para viver. Professora da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, militava ativamente nas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, na Pastoral da Educação e Afro-Brasileira na Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti. Durante longos anos era uma das organizadoras dos encontros na Semana do Professor, realizado no mês de outubro na Catedral de Santo Antônio. Neles eram discutidas as temáticas educacionais relacionadas a melhoria da qualidade da educação pública.

Militante sindical atuou na direção do SEPE-Duque de Caxias, foi fundadora do PT em Duque de Caxias, colunista de Educação do Jornal O Municipal, integrou a Central de Apoio às Populações Marginalizadas (CEAP) e durante o governo Benedita da Silva (2002-2003), liderou a Coordenadoria de Ensino Metropolitana V, sendo responsável pela gestão de todas os colégios estaduais de Duque de Caxias.

Na política foi candidata a vereadora nas eleições de 2000, a vice-prefeita nas eleições de 2004, a deputada estadual nas eleições de 2006, coordenadora de Igualdade Racial do PT-RJ, membro do movimento de mulheres e por diversas vezes esteve na direção do PT em Duque de Caxias.

Edinha nos deixou em 2010, aos 60 anos e contribuía na realização de um projeto com jovens em parceria com o grupo Afro Reggae de Vigário Geral. Era tão apaixonada pelo PT que nasceu em um dia 13 do mês de setembro e é conterrânea do ex-presidente Lula. Edinha descansou, mas deixou seu exemplo de luta por mais dignidade para o magistério e pelo reconhecimento do papel vital da Educação na formação da nossa juventude como passagem obrigatória para a ascensão social.

    Vereador Moa com esposo, filha, netas, irmãs e sobrinhas de                               Edinha, entregando a Lei 2.800/16.

Em 2016, o vereador Moa (PT) em homenagem a Edinha, apresentou um PL que denominou a Escola Municipal localizada entre a Rodovia Washington Luís (BR-040) e a rua Piracicaba, no bairro Jardim Gramacho, de ‘Escola Municipal Professora Edna Maia Nunes’. O projeto foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Duque de Caxias, transformando-se na Lei n° 2.800/16 (clique aqui para ler). 

Em 2018 de forma coronelista, desrespeitosa e demonstrando seu apoio ao bolsonarismo, o prefeito Washington Reis (MDB) passou por cima da Lei, do Poder Legislativo Municipal e da história de uma mulher que dedicou sua vida por essa cidade e inaugurou ao lado de Jair Bolsonaro, no lugar do que deveria ser a “Escola Municipal Professora Edna Maia Nunes”, um Colégio Civil-Militar com o nome de “Percy Geraldo Bolsonaro”, pai do Presidente da República, que jamais pisou, fez algo e nem sabia onde ficava a cidade de Duque de Caxias. Com esse e outros gestos, o atual prefeito Washington Reis busca o apoio da família Bolsonaro a sua reeeleição, mas preocupado com a candidatura do deputado estadual Marcelo do Seu Dino (PSL) e a falta de tempo no horário eleitoral de TV e Rádio, agora quer o apoio do PT de Edinha.

Palanque que inaugurou a Escola Municipal Edna Maia Nunes            e colocou no lugar o nome Percy Geraldo Bolsonaro

No último dia (16/03), membros do diretório municipal do partido cooptados por Washington Reis, propuseram que a sigla que Edinha foi filiada durante toda sua vida, apoie na eleição de 2020, justamente ele que retirou o nome de uma Escola Municipal em sua homenagem. Antes, o PT havia aprovado em todas suas instâncias por unanimidade, a candidatura própria do presidente do Sindicato Nacional dos Moedeiros e dirigente da CUT-RJ, Aluízio Júnior, como o pré-candidato a Prefeito de Duque de Caxias.

Perguntado Aluízio Júnior diz que: “É imperdoável tirar o nome de uma escola em homenagem a Edinha e passar na beira da pista e ver onde deveria estar seu nome, escrito Bolsonaro.  Fere sua história, sua família e todos nós que militamos juntos com Edinha. Como pré-candidato, já me comprometi a cumprir a Lei e colocar o nome dela naquela escola. Será que alguém que conheceu Edinha, consegue ver ela em cima do palanque de uma gestão que é contra professor, atrasa salários, retira direitos dos servidores, persegue sindicato e apoia um presidente neofascista?”. Questiona.

Fundador do PT, Marx Gonçalves, ressalta que Edinha seria contra essa proposta de aliança: “Tenho muitas saudades dessa que merece sim, ser chamada companheira. Ela com certeza estaria conosco! Brigando, discutindo e debatendo a importância do PT ter candidato a Prefeito. Edinha jamais apoiaria alguém que votou no golpe (Washington Reis, foi o primeiro deputado federal que votou “SIM” ao impeachment) da ex-presidente Dilma em 2016 “.  Vinícius Maia um dos filhos de Edinha, publicamente defende a candidatura própria do PT e o nome de Aluízio Júnior.

                  Vista de cima da Escola Edna Maia Nunes

O Conselho e o Fórum Municipal dos Direitos da Mulher em parceria com o Centro de Referência do Patrimônio Histórico de Duque de Caxias e o Museu Vivo de São Bento, criaram a exposição “Mulheres em Movimento na Cidade de Duque de Caxias” que conta a história de doze mulheres que tiveram forte presença na história da cidade,  e Edinha é uma das homenageadas. A exposição está aberta ao público no CEJA-Duque de Caxias, na rua prefeito Xavier da Silva, centro de Duque de Caxias.

Por fim, fizemos todo esse histórico para homenagear, reverenciar e não esquecermos  da memória desta mulher que constituiu um legado de grande importância e coerência que permanece vivo principalmente através de seus filhos: Juliana e Vinícius Maia. Ambos, seguem na luta por justiça social, pela identidade e igualdade dos pobres, negros e das mulheres. Edinha carregava sempre um botom que dizia “Mulher negra, que beleza!” e sempre nos lembrava que “Nascemos para sorrir, brilhar e ser feliz!”.  Onde estiver, obrigado, professora Edinha.

Edinha, presente!


Marroni Alves

Filho, neto e bisneto de pernambucanos, Cidadão Baixada nascido no Hospital Duque, professor de História da Educafro, jornalista, tricolor e portelense. Nem sempre tudo nesta ordem.

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