Hoje em meio ao tumulto no centro de Caxias, vejo pessoas desesperadas e correndo, uma mãe com o seu neném no colo chorando disse: “Eu não me importo comigo, mas com as minhas duas filhas que estão comigo” Tentamos acalma-la, mas só o afago da filha mais velha e a gargalhada do neném inocente a consola.
Os celulares pararam de funcionar (parece que as operadoras conspiraram) poucos minutos de sinal para avisarmos aos outros que não estavam lá.
Mais tarde tentamos sair e voltar para a casa, mas a confusão voltou, literalmente foi “tiro, porrada e bomba” e na hora ninguém pensa em ninguém, todos correm em direção ao refúgio, como se corressem atrás de um prêmio: ” A Vida”!
Em meio aos desesperados uma jovem que só queria ficar escondida e ao lado dela um senhor que aparentava seus 70 e poucos anos querendo ir embora e enfrentar a vida lá fora. Ele dizia para a jovem que era a sua filha:
– Eu não tenho medo, já vivi tudo que tinha que viver e se eu for lá fora ele irão passar por mim e pronto, mas se acontecer algo… tudo bem! Eu já vivi tudo que tinha que viver.
Ela nervosa pergunta a ele se achava certo ele deixar todo mundo assim, mas ele nervoso por estar “preso” olha para ela e diz:
-Eu estou aqui por sua causa, por mim eu já teria ido lá para fora, eu já vivi tudo, mas vc está certa, pq, vc é muito nova e tem muito para viver.
Então me perguntei, até onde podemos definir que já vivemos tudo?
Depois disso, minhas pernas continuavam tremendo e caminhei com medo até uma saída.
Mas, sinceramente até agora não enxergo a verdadeira saída, somente a luta.
Será que a luta é a única saída?