Eu nasci em uma família católica, como creio eu, muitos de vocês. Não segui a religião, mas tenho algumas recordações como a missa todos os domingos bem cedo. E foi numa dessas missas, domingo pela manhã, que aconteceu um fato que me marcou. Tínhamos um padre italiano, um cara muito divertido e com idéias que hoje seriam acusadas de ” comunistas”, como virou moda. O seu nome era Remígio, Padre Remígio e naquela manhã, durante o tradicional sermão, ele nos apresentou uma família que veio morar em nosso bairro. Era uma família de pessoas brancas, loiras e que vinha do sul, se não me engano. Essa família, de origem rural, tinha a sua terra e do cultivo da terra sobrevivia. Acontece que, como em muitos lugares, há sempre o grande fazendeiro, aquele ganancioso que sempre quer aumentar as suas terras se apossando das terras dos menores. Esse fazendeiro, como tantos outros fazem, quis comprar a terra dessa família por um preço muito barato. Como a sua proposta imoral foi recusada, ele enviou seus capangas armados e enterrou todos os membros da família, incluindo as crianças, até o pescoço. E ele disse, que morreriam se não passassem a terra deles para esse fazendeiro. A pobre família, como tantos outras, foi obrigada à se desfazer de sua terra para poder sobreviver. E foi assim, que vieram para o Rio de Janeiro, pra Baixada Fluminense e naquela manhã de domingo, durante a missa matinal, nos fez ouvir a sua drástica história.

Hoje vemos o Bolsonazi querendo criminalizar o MST como terrorista por invadirem terras não produtivas. Muitas dessas terras foram adquiridas por atos covardes e criminosos como narra o relato dessa família. Esses grandes fazendeiros, com sangue nas mãos e mortes nas costas, se dizem homens de bem e não o são! O pequeno homem do campo precisa de terra para viver e sobreviver e você acha que eles são os terroristas? Você não sabe nada da vida!

Gutemberg F. Loki “Tubarão”