Nestes últimos dez anos algumas ações da sociedade civil em Duque de Caxias se consolidaram, outras surgiram mas não prosperaram e algumas estagnaram impossibilitadas de se renovarem. Dentre aquelas que já existiam e se consolidaram podemos destacar o Festival Nacional de Teatro, organizado pelo Centro de Pesquisas Teatrais que, após a inauguração do Teatro Raul Cortez, tomou novo fôlego tanto quantitativamente quanto qualitativamente. Ainda nas artes cênicas a Companhia de Arte Popular, ganhadora de vários prêmios também se consolidou ampliando seu circuito de atuação. O Teatro SESI Caxias também renovou sua programação inserindo-se no circuito de espetáculos do Rio de Janeiro. Apesar do esforço, ainda carece de um público mais constante, da definição de um perfil de programação e de uma melhor comunicação. O Cineclube Mate com Angu que circulou pela FEUDUC, pelo Instituto Histórico até estabelecer-se na Lira de Ouro constituiu-se num importante espaços de produção, difusão e fruição cultural, incentivando outras iniciativas como o Angu TV, o Ágora e a Caxias TV. Sua produção e articulação lhe possibilitaram uma visibilidade nacional e internacional. A Companhia Luar de Dança, após o seu reconhecimento como Ponto de Cultura, ampliou sua atuação e as parcerias com instituições nacionais e estrangeiras.

Entre os que já existiam antes de 2005 e que não acompanharam as mudanças que se verificaram no campo da cultura destacamos a Secretaria de Cultura que, ainda presa a eventos, não considerou a cultura como um espaço de garantia à cidadania. O Instituto Histórico, que tem na Associação dos Amigos do Instituo Histórico um parceiro de primeira hora, foi o local que agregou uma serie de esforços de várias instituições, a partir de 2008 burocratizou-se e tornou-se refém dos presidentes da Câmara de Vereadores e de setores elitistas da cidade. Aliando-se a setores retrógrados da cidade perdeu a sua importância como ponto de cultura, não conseguiu dar uma publicidade ao seu acervo e repete-se em uma programação afastada dos setores populares. É inegável sua importância como Arquivo Municipal. O Museu da Taquara e do Duque de Caxias, apesar de ser um dos mais antigos espaços culturais da cidade, ainda não definiu sua identidade e nem se articula com a comunidade em que está inserido. O Museu da Taquara e do Duque de Caxias, mesmo sendo um dos mais antigos espaços culturais da cidade, ainda não definiu sua identidade e nem se articula com a comunidade em que está inserido. A FEUDUC, instituição de vanguarda no que se refere ao Patrimônio Histórico e às pesquisas acadêmicas, a partir de 2007 entrou em ocaso paralisando quase que totalmente suas atividades no campo da elaboração do conhecimento e na atuação cultural.

O Conselhos de Cultura depois de uma efervescente atuação até 2010 sofreu intervenção da Secretaria de Cultura perdendo sua legitimidade e representatividade, confundindo-se como órgão do governo assumindo algumas funções que são próprias do executivo e não da representatividade da sociedade civil. O Conselho de Defesa e Promoção da Igualdade Racial mantém-se com as mesmas discussões e propostas da década passada, ainda tendo como único momento aglutinador a Semana de Tradições e Artes Negras Contemporâneas. As instituições que dele participam ainda carecem de institucionalização, de projetos que mantenham sua sustentabilidade e de formação intelectual. Realidade muito próxima à dos Blocos Carnavalescos que, na ausência de incentivo governamental, voltaram-se para suas próprias atividades, tendo na Embaixada do Samba, uma das mais significativas.

Um outro espaço de duração efêmera mas muito significativa foi o Bistrô Brasil. Com uma proposta singular para a cidade recebeu vários eventos com um importante ecletismo. Enquanto existiu foi uma alternativa às manifestações mais espontâneas da Lira de Ouro alimentando a ideia relativa à criação de um corredor cultural na região onde estava instalado. O Bar do Zeca, tradicional ponto de encontro de jovens e de fazedores de cultura, encontrou seu ocaso com a diversificação, em seu entorno, de bares e restaurantes, com manifestações diversificadas e sem identidade cultural. O Cine Oscarito, concebido como uma ação assistencialista e com verbas de origem duvidosa, também não teve vida longa, não se consolidando como espaço alternativa da sétima arte.

Dentro dos novos espaços que se consolidaram destacamos a Produtora Terreiro de Ideias que inovou ao desenvolver projetos financiados, incentivar a criação de rede de cultura e ampliar a noção do conceito de economia criativa. Dentro dos espaços de juventude, particularmente a negra, destacam-se o Grupo Urbanos, gestado na comunidade da Mangueirinha e na Lira de Ouro e o MOF, na Vila Operária. O primeiro ocupou os espaços das praças e ruas da cidade organizando Cyphers e Batalhas entre MCs. O MOF, Movimento Organizado de Favelas, celebrando a cultura do Hip Hop, através de suas vertentes, organiza anualmente um dos maiores encontros nacionais do gênero. Ainda dentro da cultura da juventude temos o circuito do rock que, apesar de já possuir calendário e público próprio, encontra no Tomarock sua mais importante identidade e no Egrégora sua maior novidade.

Dentre as novidades que se firmaram ainda podemos destacar a atuação transversal do Museu Vivo do São Bento, formado por pessoas oriundas do Departamento de História da FEUDUC, das áreas pedagógicas da Secretaria Municipal de Educação e jovens acadêmicos que encontraram na cultura seu objeto de pesquisa. A nova forma de atuação dos dinamizadores de leitura, do funcionamento das salas de leitura e das bibliotecas comunitárias constituíram-se em importantes espaços de formação de leitores, lançamento de livros e debates com seus autores e em um novo campo de atuação política. A Biblioteca Governador Leonel de Moura Brizola foi a principal fomentadora destas ações. Recentemente o movimento HQs tomou grande impulso ampliando seu campo de atuação para outros municípios, promovendo intercambio e troca de experiências. O Museu Ciência e Vida, o melhor equipamento de cultura da cidade ainda não conseguiu estabelecer uma intersecção com a comunidade.

 


Alexandre Marques

Alexandre Marques é professor de História. Contato: alxmarques@ig.com.br

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