Começou a propaganda eleitoral pela TV e pelo rádio e com ela a velha percepção de como a política brasileira anda desgastada e quase sempre desesperançada também… Não digo que é sem graça porque os candidatos à vereança garantem altas doses de boas risadas pelo menos.

Falando de Duque de Caxias, uma curiosidade que pouca gente lembra é que até o ano de 1996, por increça que parível, a cidade assistia à propaganda eleitoral da cidade do Rio de Janeiro… Sim, isso mesmo: já com mais de 500 mil votantes a população via nas telinhas os candidatos da cidade maravilhosa, enquanto nossos pretendentes a cargos públicos só apareciam com suas caras em cartazes e impressos tipo santinho, numa era ainda pré-popularização do Corel Draw pirata.

Nesse ano, houve uma pressão de diversos setores da sociedade para que a campanha caxiense fosse também veiculada pela mídia eletrônica, o que a Justiça Eleitoral tratou de implantar. Mas não sem uma reação forte vinda dos segmentos da política tradicional, principalmente os mesmos políticos que sempre ganharam eleição na base dos poderes mágicos do dinheiro e da coerção. Tirando a acachapante onda brizolista de 85 que elegeu prefeito o Juberlan de Oliveira, os mesmos grupos de sempre já contavam como certa suas eleições e seus rodízios de buchas da vez.

Na época eu era da direção da rádio Quarup FM 105,7 e fizemos três meses diretos de veiculação de uma vinheta pedindo campanha pela TV e pelo rádio. Sentimos na pele a pressão contrária, principalmente dos grupos ligados ao candidato tradicional tido como seguramente eleito. (Não gosto de nem escrever o nome da figura, vai que ele ressuscita politicamente por aí…).

Também conseguimos pela primeira vez na cidade levar todos os candidatos a prefeito na época para uma entrevista ao vivo, com microfone aberto ao povo, e com essa moral, a Justiça eleitoral escolheu a rádio para ser cabeça de rede na transmissão do programa eleitoral. Esse fato de uma rádio sem concessão federal e tida como “pirata” ser a retransmissora de um programa oficial foi usado como argumento para várias matérias plantadas na mídia do Rio, incluindo a elitizada página terceira do O Globo, o que por pouco não fechou a rádio de vez. (Ah, sim, essas entrevistas na Quarup FM estão digitalizadas e estarão disponíveis na Internet, em breve).

Nessa eleição de 96 pela primeira vez a cidade pode ver na telinha a cara de seus postulantes a cargos públicos, suas promessas – e o início da produção marqueteira em vídeo em Caxias, a era do pancake nas caras de pau.

Muita gente pode achar que não, mas a propaganda pela televisão e rádio representou avanços para a cidade, sendo o principal deles a popularização dos dados acachapantes sobre a riqueza de Duque de Caxias. Depois que a eleição terminou, passou a ser mais comum os cidadãos conhecerem mais sobre dados até então obscuros como as cifras recolhidas em impostos na cidade.

Mas, essa fase precisa avançar mais alguns degraus acima. Um debate ao vivo pela TV com os candidatos, por exemplo, hein? Sonho? Talvez…

Hoje a luta pela radicalização da democracia inclui necessária e prioritariamente a participação das pessoas nas instâncias de decisão política, dialogando e interagindo com as reais demandas da população. E a comunicação tem papel fundamental nisso. Não maquiando caras velhas e propostas antiquadas e vazias, e sim como instrumento de participação social na gestão. Tudo que os políticos atrasados odeiam e lutam contra.

Que a criatividade governe; que o governo e a sociedade possam acessar e usar o arquivo gigante de soluções criativas espalhadas pelo mundo para solucionar problemas da cidade. Abrir as caixas pretas do poder. Transparência. Atualmente não existe vontade política, mas solução há.

Mas, basta ligar o horário político no SBT para ver que a luta será ainda muito difícil…

 

Propaganda Eleitoral em Duque de Caxias

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heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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