Como bem cantava Tim Maia, paixão antiga sempre mexe com a gente. E uma das paixões mais antigas que possuo, são dos gibis e personagens de Terror, que eu sempre pedia para minha mãe comprar. Ela, mesmo sendo Católica Apostólica Romana convicta, me atendia e comprava naqueles tempos, quadrinhos do Drácula ou Lobisomem. Lembro que em 78, no meu primeiro dia de aula, desenhei um homem com capa e dentes pontiagudos em frente à uma árvore, onde descansavam ou voavam, alguns morcegos. Uma menina que estava ao meu lado perguntou o que era aquilo e eu respondi como um membro da Família Adams: ” É o Drácula e seus morceguinhos!”. Ela me olhou com uma cara estranha e se afastou. É, eu já era meio estranho, diferente dos demais!
Lembro que entre os anos 70 e 80, era muito fácil encontrar gibis de Terror nas bancas de jornais, ou mesmo em bancas que vendiam revistas usadas por um ótimo preço.
Editoras como Vecchi e Bloch, investiram muito no ramo dos Quadrinhos de Terror. A Bloch lançou títulos da Marvel que seguiam o gênero, como A tumba de Drácula, Frankenstein, Lobisomem e a Múmia Viva. A Vecchi tinha entre as suas publicações, a fantástica revista Spektro, que revelava o talento e a qualidade de artistas brasileiros como Mano e Watson Portela, que incluíam muitos elementos brasileiros em suas histórias, como o sertão e o cangaço, além de mulheres muito sensuais!
Já a Editora D-Arte, também batalhou muito neste campo e lançou as magníficas revistas Mestres do Terror e Calafrio.
Eram ótimos tempos, que me insparavam na leitura e nos desenhos que eu buscava fazer! E embora, eu volta e meia ouvisse críticas sobre aquele tipo de publicação e seus personagens ” negativos”, foram eles que me ajudaram à pegar gosto pela leitura e não a Bíblia, livro constante nas missas de domingo e dias santos que eu era obrigado à frequentar.

Gutemberg F. Loki “Tubarão”