O Governo Federal corre para deter o vexame de não conseguir votos suficientes para a reforma da previdência e, ao mesmo tempo, garantir que a máquina eleitoral do PMDB no Rio de Janeiro continue de pé.
Diante do desmoronamento do PMDB no Rio de Janeiro, o governo federal se apressa para resolver dois importantes problemas que fazem o Governo Temer sangrar diariamente: a progressiva diminuição da base parlamentar disposta a mergulhar no desgaste político ao votar com o governo na reforma da previdência e, também, a ameaça do partido de perder a base eleitoral que tem no estado e que garantiu as reeleições consecutivas de Sérgio Cabral e Pezão.
A crise do Rio de Janeiro, tem levado o governador Pezão a entregar a gestão para seus partidários, que, por sua vez, estão subordinados aos empresários do crime organizado, como afirmou o ministro da justiça Torquato Jardim, e aos empreendedores que predam as receitas governamentais com isenções fiscais e os benefícios que acumulam com a propositada falta de gestão.
 
O Rio de Janeiro é o principal colégio eleitoral do atual MDB e sofre com o prenúncio de que sofrerá sua maior derrota eleitoral das duas últimas décadas. Como os votos do Rio de Janeiro decidem a eleição presidencial, o governo tenta dá uma cartada final para fugir do constrangimento de não ver a Reforma da Previdência aprovada e aumentar o seu desgaste frente a crescente insatisfação da população. O fato é que a intervenção impede que a Constituição seja alterada é, portanto, que ocorra a votação para a reforma da previdência.
 
Contraditoriamente, é um chileno-carioca e presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, o maior interessado na Reforma da Previdência. O alinhamento de Maia com a pauta do mercado, já foi afirmada pelo próprio deputado que quer conduzir a toque de caixa as reformas de grande interesse dos grupos financeiros e empresariais. Maia tem sido um grande aliado do governo Temer ao movimentar as votações do congresso de forma a beneficiar Temer. Porém, a intervenção no Rio de Janeiro, gera um desgaste dos aliados, porque coloca em risco os planos do presidente do congresso para concorrer ao governo do Rio de Janeiro.
 
A intervenção tomará as rodas de conversas e permitirá que os defensores do autoritarismo avistem, neste movimento do governo federal, um passo maior para qualificar o discurso conservador que o estado fluminense precisa para reconquistar a ordem. Por outro lado, uma parcela da esquerda começará a identificar a trilha para um golpe dentro do golpe e a clara ameaça as eleições presidenciais de 2018.
 
De toda forma, pelo bem ou pelo mal, o Rio de Janeiro decidirá o futuro do país este ano.
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Eduardo Prates coordena o Observatório Social
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Eduardo Prates

Professor, cientista político, cidadão do mundo, flamenguista, Imperiano, sujeito que acredita na auto-determinação dos povos para a construção de um mundo melhor.

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