Há cinquenta e dois anos atrás aconteceu na Baixada Fluminense um dos maiores saques populares que se tem notícia no Brasil do século XX.

Quem resolveu contar essa história são os diretores Rodrigo Dutra e Victor Ferreira que lançarão no próximo 13 de maio o documentário 1962 O ANO DO SAQUE, que já teve participação no Festival Internacional de Filmes de Língua Portuguesa (Cineport) e participará também do VERCINE (Festival de Cinema de Duque de Caxias).

O ano de 1962 foi um momento singular para a história brasileira. Vivia-se sobre a sistema parlamentarista de governo, onde o presidente tinha poucos poderes sobre a vida da sociedade e tudo era decidido pelo parlamento. “O presidente Jango (João Goulart) estava impedido de exercer soberanamente o cargo de presidente; isso significou um saque do poder político por parte das elites, sacramentado em 1964 com o golpe civil-militar”, comenta Rodrigo Dutra.

A crise política entre parlamentarismo e presidencialismo gerou uma crise no abastecimento de alimentos, pois os preços dos produtos eram controlados pela COFAP (Comissão Federal de Abastecimento e Preço) e essa situação não agradava aos comerciantes que, para forçar o aumento dos preços, sonegavam aos mais pobres e vendiam seus produtos a preços altos no mercado paralelo.

No dia que aconteceu o Saque havia também uma greve geral no país incentivada pelos sindicatos que eram pró-presidencialismo. Todo o sistema de transportes ficou parado, forçando o povo a aglomerar-se de madrugada na antiga Praça do Pacificador.

Com fome, sem transporte e com a tentativa de usurpação do poder por parte dos setores conservadores, o povo começou a saquear tudo que via pela frente. Aconteceram saques e quebra-quebra também em Niterói, Brás de Pina, Ramos e por toda a Baixada Fluminense, mas nenhuma outra com a proporção e com a violência do saque de Caxias, que precisou da intervenção do Exército para ser contida.

Passados mais de meio século do ocorrido, Dutra acredita que o momento atual brasileiro é muito parecido com o contexto daquela época: “Naquele momento tínhamos uma polarização política entre dois projetos de país como acontece hoje, o povo estava muito insatisfeito e ainda tinha a Copa de 1962”.

Para quem quiser ver o documentário acontecerá um dia de exibições no Cinema Santa Rosa, último cinema de rua da cidade de Duque de Caxias, com entrada a 5 reais.

Para acompanhar notícias sobre o filme, há uma fanpage no facebook.

Serviço

Cinema Santa Rosa – Av Presidente Kennedy 1557 – Ao lado do Teatro Raul Cortez.

13/05/2014

Sessões às 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19, 20h e 21h.

Entrada R$5,00

Estudantes terão direito a certificado de participação.

+ Exposição Fotográfica BAIXADA 3.2 MEGA PIXEL de Igor Freitas Lima.

Contato: Rodrigo Dutra 971026904 – rodrigohistoriador@gmail.com

 

Vem aí 1.9.6.2. O Ano do Saque – mais um filme de Caxias para o mundo

Entrevistados do documentário 1962 O ANO DO SAQUE

50 anos do grande saque em Duque de Caxias 

 

1962 o ano do saque


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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