Quando me mudei do Morro do Parque Proletário da Penha, em 1969, pra Duque de Caxias, Vila São José, o município tinha apenas 26 anos que se emancipara de Nova Iguaçu. Tinha A REDUC, a FNM, tinha a fábrica de Tecidos União e grande pujança. Era conhecida como cidade dormitório mas tudo começava a mudar. Lembro também que havia grande descriminação. Os jornais e rádios, em qualquer crime ou problema, noticiavam sempre entre parênteses, “Duque de Caxias”. Inúmeras vezes o ocorrido era em outro município mas o saudoso Samuel Corrêa, o “Samuca”, falava na “Patrulha da Cidade”: “Foi em Caxias, Gegê, a terra onde galinha cisca pra frente!” e todos riam.
Ao chegar com 10 anos na rua 20, casa 8, fui vizinho do lendário Tenório Cavalcanti e desfrutei de sua amizade. Todos falavam na famosa “Lurdinha” uma metralhadora dada a ele por um amigo do Exército. Mas ninguém falava de suas ações sociais nem da imensa Biblioteca no sub solo de sua casa na Chácara.
Nunca tive o que me queixar de Duque de Caxias. Meus amigos de sempre foram feitos aqui. Minha raiz está aqui. Foi
Duque de Caxias quem me acolheu com apenas 10 anos de idade. Trabalhei numa barraca de feira perto do Shopping Center de Caxias com 13 anos. Trabalhei na Cantina do Educandário Maria Tenório.Escolhia cinemas pra ir. Santa Rosa I e II. Paz, Central, Brasil, River e de lá saí muitas vezes imitando golpes de Kung Fu. No Teatro Armando Melo conheci Barboza Leite, Pintor, Poeta, Ator, Diretor e quem fez o hino de Duque de Caxias. Depois outro craque das artes plásticas; Paulo Ramos.; Depois O Ator e Diretor de Teatro Ediélio Mendonça(meu Professor de História no Maria Tenório) e toda galera que até hoje brilha por aqui e pelo mundo. Cesário Candhi, Guedes Ferraz, Reynaldo Lisboa e Marcia Aicram, Eve Penha, Pedro Lages, Beto Gaspari, Cleo Rodrigues, Cristiane Agnes, José Montteiro, Ronaldo Bellardo, Alex Fabiani,Nancy Calixto. Vi peças fantásticas dessa turma no Teatro Procópio Ferreira.
A efervescência Cultural de um Centro Educacional São José(onde fiz o Segundo Grau), de um Casimiro de Abreu, de um São Felix, de um Colégio Duque,Elaine Cardoso(no Parque São José),de uma FEUDUC e de uma Maria Tenório em seus grandes momentos.
Mestres inesquecíveis como Carlos Trindade(Literatura) Jane (Literatura-Duque), Ediélio (História), Portela (Contabilidade-São José), Prof.Cozzolino, Prof.Moisés Trajano(Maria Tenório), Julio, Celeda, Graça,Ana Margarida,Amorim,Codá(Todos Maria Tenório). O brilhante Aquino de Araújo.
E como não lembrar de seus campos de futebol que mais tarde foram criminosamente ocupados por CIEPS privando uma série de comunidades de suas únicas formas de lazer. Campo do OSA, Panamericano, Rio-Minas, Dos Eucaliptos(na Vila São José), Cerâmica e Brasil (Morro do Sossego), Huracan e tantos outros.
Em jogos mais sérios, o campeonato municipal no ´Maracanãzinho. Grandes times como o América, Cruz de Malta, União, Nacional, Tricolor, Gramacho, São Bento, Manufatura,Fundação São José etc…
Craques que dava gosto ver jogar. Babá, Lutércio, Paulinho Binha, Pardal, Neném Piranha, Bolão, Osmir, Baquinha, Cesinha, Neném, Cesário Paraíba, Neca,Chico,Leno, Carlinhos Rosquinha, Dila, Silva…E Roberto, que depois virou “Dinamite”, saído do São Bento e Quinha, seu irmão, melhor mas com menos sorte.

Não sei explicar mas um dia acordei Poeta e escrevendo livros pra esse mundo de meu Deus. Por razões de Estudo e trabalho fui exilado em Copacabana, Ipanema, Catete e Brasilia por 10 anos. Nesses 10 anos, nem um verso sequer, fiz. Ah…mas quando voltei pra Duque de Caxias, 20 anos atrás trazendo comigo minha filha , meus cadernos e lápis…ah, seu moço, foi um tal de sorrir. De voltar a jogar bola, de daná a escrever livros de nunca mais parar. Já são 20 até agora e tem mais um monte prontinho pra botar a cara no mundo!
Coisa de Alma e de Raiz. Coisa de amor e agradecimento.
Ah, com certeza, nesse improviso, esqueci pessoas, lugares, mas depois tem a parte II e eu corrijo.
Meio atrasado, Feliz aniversário, Duque de Caxias e seu filho adotivo segue pra lhe orgulhar.

Publicada originalmente na página Dias de Vila São José

Velha passarela da Estação Duque de Caxias.
Uma matéria (crítica) sobre meu livro de 1989, ANJO FEIO, escrita por Barboza Leite(na foto), pra revista de Carlos de Sá Bezerra “Caxias Magazine”.