Quando Márcio Leandro de Oliveira, há mais de 30 anos trabalhando com foto e filmagem, se dirigia à Biblioteca Municipal Governador Leonel de Moura Brizola, no Centro de Duque de Caxias, em 20 de março, não podia imaginar que os slides que o pintor Paullo Ramos apresentaria sobre sua trajetória pessoal lhe provocaria tanto impacto. Márcio Leandro pensava em participar das comemorações pelo Dia Municipal da Cultura e pelos 50 anos de vida artística de Paullo Ramos como mero espectador, mas viu-se diante de uma história de vida tão única que disse para si mesmo “isso não pode ficar só aqui”.

Dia 20 de março é Dia Municipal da Cultura em Duque de Caxias numa homenagem ao artista, poeta, cordelista e produtor cultural Barboza Leite, que nasceu neste dia, mas é também a data de aniversário de Paullo Ramos. “Venho fazendo regularmente uma festa em 20 de março, não só para comemorar meu aniversário, mas principalmente para valorizar a importância do legado de Barboza Leite para nossa cidade. Sempre procuro trazer uma mostra de artes plásticas e este 20 de março foi marcante, porque conseguimos trazer apresentações de vários artistas e poetas da cidade. Afinal, eu estava comemorando 50 anos de vida artística”, conta Paullo Ramos.

Desde 1969 que Ramos começou a expor suas obras e, desde então, não parou mais. “É uma história de vida linda. Através de sua arte ele dialoga com autistas, por exemplo, o que tem dado bons resultados. Ao aprender desenho e pintura com Paullo Ramos, autistas conseguem interagir e progredir em sua socialização”, observa Márcio Leandro.

O fotógrafo teve, então, a ideia de produzir um documentário sobre a vida e obra de Paullo Ramos. “Falei com ele ali mesmo e ele topou na hora uma entrevista”, lembra Márcio.

Já o artista plástico confessa que pensou que seria apenas uma entrevista, um papo para registrar as homenagens que haviam acontecido com Heraldo Bezerra, Gutemberg Tubarão, Vicente Portella, Canthídio. “Mas Márcio Leandro, sensível como é, percebeu que muita coisa ali precisava ser mostrada. Minha proposta ambiental, meu convívio com Nise da Silveira e a expressão de autistas, que interagem através dos símbolos. Enfim, meu delírio criativo”, brinca Paullo Ramos. Para depois falar muito sério: “Nas minhas telas, a destruição do meio ambiente não é só do meio ambiente, mas do interior do ser, do humano. Não sou um terapeuta, mas um provocador, que procura mostrar a cada um a força que ele tem dentro (de si), fazendo com que perceba que pode caminhar sozinho”.

As filmagens começaram em abril. Márcio Leandro revela que toda semana vai à casa de Paullo Ramos, num bairro próximo ao Centro de Duque de Caxias. “Já gravei toda a parte que podia com ele. Agora estamos colhendo depoimentos de 12 pessoas que fazem parte da trajetória do Paullo, em algum momento. Na verdade, precisaríamos ouvir dezenas de pessoas, mas alguns já faleceram, outros não moram mais na cidade e isso dificulta nosso trabalho. Mas já temos um bom material para editar”, comemora Leandro.

Márcio Leandro, Paullo Ramos e Ísis
Márcio Leandro, Paullo Ramos e Ísis

 

Nem o roteirista nem o próprio artista fazem ideia de quantas obras Paullo Ramos já produziu. Mas isso é o de menos. O mais importante é conseguir, através de financiamento coletivo, recursos para concluir o documentário “Paullo Ramos: 50 anos de pinceladas”, que já tem data para estreia: 11 de setembro deste ano, no Teatro Raul Cortez, ao lado de onde tudo começou.

“Amigas que fizeram livros através de financiamento coletivo pela Benfeitoria nos apresentaram a plataforma de crowndfunding e estamos com a meta de arrecadar R$ 5 mil para finalização do documentário, bem como da produção de recompensas para quem contribuir com a cota máxima – R$ 500, que será uma obra exclusiva do artista, com edição limitada”, explica Márcio Leandro.

Mas não tem recompensa só para quem contribui com a cota máxima, não. Quem apoia a ideia com R$ 35,00 (cota mínima), inscreve o nome nos créditos finais. Já quem entra com R$ 150, por exemplo, adquire uma reprodução autografada pelo artista, entre outras recompensas. Confira a escala de recompensas aqui.

 

Paullo Ramos, que já ganhou vários prêmios internacionais, como a comenda do Museu Fuji, em Tóquio, quer ter a alegria de voltar a ver seu trabalho reconhecido por sua comunidade local. “Meu primeiro prêmio foi em 1969, quando fiquei em 6º lugar no 2º Salão Duquecaxiense de Artes, um salão internacional, no Edifício Profissional, próximo à Praça Roberto Silveira, no coração de Caxias. Foi a minha estreia entre nomes como Rogério Torres, Messias Neiva, Romanelli e já com premiação. Eu pinto desde os oito anos. Poder, através de um documentário, disseminar ideias é mais do que uma honra”, confessa Paullo Ramos.

Para contribuir para a finalização de “Paullo Ramos: 50 anos de pinceladas” entre em https://benfeitoria.com/Doc50anosdepinceladas e faça sua doação. Como o próprio Paulo Ramos diz, “a força mora em cada um. Valores humanos num mundo em mutação como o nosso, precisam ser percebidos”.

 

Rose Maria S. Alves

06/08/2019