Na década de 30, quando nossa cidade ainda era “Caxias” e se constituía em Distrito de Nova Iguaçu, se construiu uma memória acerca do “filho ilustre da cidade”. Este ilustre nasceu no século XIX na Fazenda São Paulo, atual bairro da Taquara, quando ainda não se imaginava a grandeza territorial e econômica que a cidade adquiriria dois séculos depois.

Na História do Brasil a imagem do “Duque” está fortemente por sua liderança e rigorosidade na Guerra do Paraguai ou por sua controversa atuação no controle de revoltas populares que lhe rendeu a alcunha de “O Pacificador”. Esta imagem também está incrustada nos lugares de memória da cidade: ruas, praças, museus, datas cívicas. Será a população local percebe a relação destes lugares com a História?

O dia 25 de agosto, Dia do Soldado, é muito explorado pelo poder público. Os desfiles cívicos que ocorrem nos quatro distritos, tem muito mais estrutura e repercussão do que a data da emancipação ou do que a Festa de Santo Antonio, padroeiro da cidade. Esta data é a do nascimento do Duque.

Se nos prendermos ao I Distrito encontramos no bairro “Jardim 25 de Agosto”, o que conta com a melhor infraestrutura da cidade, várias “lembranças” do “filho ilustre”. Uma das principais avenidas da cidade, a Brigadeiro Lima e Silva, é uma homenagem ao avô do Duque, um dos homens de confiança de D. Pedro I e uma das principais figuras da regência. A Praça Humaitá e as ruas Passos da Pátria e Voluntários da Pátria relacionam-se a momentos da Guerra do Paraguai. No mesmo bairro aparecem Mariz e Barros, Deodoro e Osório, militares que atuaram neste conflito.

Do outro lado da linha temos o bairro “Lagunas e Dourados”, também relacionado ao conflito com o país vizinho e a “Praça do Pacificador”. Esta última foi apresentada de forma crítica no filme do mesmo nome, produzido na década de 70 pela TV Maxambomba e no curta “Duque de Quê? Duque de Quem?” produzido pelos alunos de comunicação da PUC. No primeiro são ilustradas várias manifestações culturais que nela existiam antes da construção do Complexo Cultural. O segundo sugere como a população se apropriou do novo espaço e lança uma pergunta intrigante: por que trocou-se a Estátua Equestre do Duque, aquela que ele está montado num jegue por um imenso Z, na cor vermelha, que enfeita a biblioteca.

Analisando estes espaços e observando a luta cotidiana do povo pela sobrevivência, constatamos que todos eles estão relacionados à violência. O controle dobre os nomes dos lugares e o que se deve comemorar está relacionado ao o que se deve lembrar e o que se deve esquecer. Como os nomes dos lugares não surgem por acaso uma das indagações que podemos fazer é: quem denominou estes lugares? Por que receberam estas denominações? Ou mais ainda: onde foi parar a estátua eqüestre? AH! Isto nós sabemos. Está posicionada na frente de um hotel localizado na entrada da cidade. Sabe-se lá o que se passa na cabeça desta estátua…

 


Alexandre Marques

Alexandre Marques é professor de História. Contato: alxmarques@ig.com.br

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