No centro de Duque de Caxias entre a 59° DP, o antigo prédio da prefeitura, a Câmara Municipal e o Museu Ciência e Vida, que antes abrigava o Fórum, cercada por vários cartórios e testemunha das várias intervenções ocorridas na praça, encontramos a imponente estátua do Governador Roberto Silveira.

As crianças que freqüentavam o forró que ali acontecia ficavam inventivas e intrigadas com a imagem bastante escurecida pelo esquecimento do poder público e que, segundo elas, carregava solenemente um copo de cerveja na mão. A estátua, a Praça onde está instalada e o primeiro Instituto de Educação da Baixada Fluminense foram homenagens póstumas da cidade ao Governador Roberto Silveira.

Roberto Silveira governou o Estado do Rio de Janeiro entre 1959 e 1961, ano em que foi vítima desastre de aéreo, falecendo no ano seguinte. Foi militante do movimento estudantil nos anos 40, atuou no malfadado Departamento de Imprensa e Propaganda de Vargas, formou-se em Direito e foi Deputado Estadual. Importante político do Partido Trabalhista Brasileiro, foi homem de confiança de Amaral Peixoto na Baixada Fluminense e tinham uma atuação muito próxima dos comunistas locais.

Para os duquecaxienses talvez sua importância esteja no fato de ter sido amigo de faculdade de Ricardo de Azeredo Vianna, de Moacyr do Carmo e de Ruyter Poubel. Estes se instalaram na cidade na década de 50. O primeiro, médico empresário, se dedicou ao setor de saúde na cidade, tornado-se proprietário de um dos maiores hospitais particulares de Duque de Caxias. Já Moacyr do Carmo de pediatra tornou-se por duas vezes prefeito da cidade. Já Ruyter era proprietário de jornal em 1959 e empreendeu intensa cobrança para que o governador cumprisse a promessa de instalar água potável na cidade. Na década de 60 foi eleito vice-prefeito de Moacyr. Em 1960 Roberto Silveira cumpriu a promessa. A água chegou à cidade: ao bairro 25 de agosto.

A Praça que hoje recebe seu nome se chamava “do Riachuelo” e no prédio onde hoje está parte da prefeitura existia a Fábrica de Massas Alimentícias Tupinambá. Como as camadas populares reinventam o nome dos lugares ela passou ser conhecida por praça da Prefeitura. Para os cronistas ficou conhecida por Praça Butantã, apesar de não se encontrar cobras no local. No centro dela habita a estátua, inerte aos acontecimentos, de aproximadamente um metro e meio, carregando um archote.

Sujeita às marcas do tempo, à ação dos pombos e ao pouco cuidado por parte do poder público não temos registros dos artistas que produziram a estátua ou de quando ali foi instalada. Mas, voltado à inventividade das crianças: para onde ela se encaminha transportando um copo de cerveja? Para longe da cidade assim como boa parte de nossas lideranças políticas que ocupam cargos públicos?


Alexandre Marques

Alexandre Marques é professor de História. Contato: alxmarques@ig.com.br

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