Partiu Jorge Manoel, o Jorge Cão, grande compositor

Uma vez saí pra dar um bordejo ali pela 25 de Agosto, pra tomar uma cerveja, ver umas pessoas, arejar a mente pós um daqueles dias em que o trabalho te atropela. Tava rolando nessa época um barzinho ali perto do Zeca, muito legal, onde dava pra conversar e onde as quintas-feiras estava parando uma galera maneira de música e de teatro da cidade, de conversa divertida, uma molecada boa de onda.

Parei numa mesa onde tava o David, músico sangue-bom toda vida, e mais uma galerinha. Daí, ele e outro cara ao lado me interpelaram com uma pergunta à queima-roupa, logo que sentei: “você conheceu o Jorge Manoel, né?” Achei a princípio que fosse uma dupla, Jorge e Manoel, mas aí o amigo do David fala que tinha certeza que eu o conheci sim; Jorge Manoel, músico, compositor que tinha um apelido, Jorge Cão. Pô, claro que sim, gritei.

O maluco, Gabriel, era filho do cara e o motivo da pergunta tinha haver com o fato de ambos tererm descoberto uma joia e estarem chapados com ela: um disco inteiro, perdido no tempo, recheado com composições de Jorge Cão e Neivaldo Menezes. E aí, o nome do Neivaldo na mesa também me trouxe várias lembranças boas e danei a falar sobre os dois. Dois incríveis compositores. Neivaldo um cara apaixonante, que infelizmente morreu jovem, se não me engano no ano 2000.

O filho do Jorge e mais o David tinham uma banda que tava fazendo um razoável sucesso naquele momento, a La Nuova, e tinham um fã-clube militante. Naquela noite eles estavam tão fascinados pelas músicas do disco encontrado que tinham cogitado gravar um cd com as composições da dupla.

Contei algumas histórias que conhecia, de como me impressionou o jeito de tocar violão do Jorge; falei do show Coração Universal, do Neivaldo, da banda Quarto Crescente; falei como identificava um time poderoso de compositores na cidade, que além de Jorge Cão, incluía aí Canthídio, Edu Costa, Ramiro, Chiquinho, Macarrão, Bodhar, Beto, entre tantos…

Uma pena que a La Nuova terminou e não gravaram o tal disco. Mas fui embora feliz naquela noite, com aquela certeza que sempre trago de que o que é bom atravessa o tempo e contagia as pessoas, independente de qualquer coisa.

Hoje fico sabendo da partida de Jorge Manoel Oliveira Costa, o Jorge Cão, no último dia 10/06, por complicações decorrentes de um AVC. Tinha 65 anos.

Que vá em paz e a família ganhe conforto no coração nesse momento.

Jorge Cão ao violão. Foto: autoria não identificada
Jorge Cão, à direita, com Canthídio, Bar dos Correios, anos 80. Foto: autoria não identificada
Jorge Cão, em 2015. Foto do Facebook

 


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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