A Associação de Pais e Amigos da Escola Pública de Duque de Caxias (APAEP), a Federação das Associações de Moradores de Duque de Caxias (MUB), a União dos Estudantes de Duque de Caxias (UEDC), a Associação dos Estudantes do Estado do Rio de Janeiro (AERJ) e o Sindicato dos Profissionais da Educação de Duque de Caxias (SEPE) divulgaram uma carta aberta as mães, pais e responsáveis de alunos da Rede Municipal de Duque de Caxias. Na carta aberta os movimentos criticam a proposta de entrega de material impressos aos estudantes, promovendo assim o contato físico de alunos, responsáveis e corpo escolar em pleno isolamento social e a proposta de plataforma digital para aulas online, sem levar em consideração a realidade de muitas famílias caxiense. Por fim, os movimentos ressaltam que neste momento a prioridade deve ser acesso a alimentação, remédios e atendimento público na saúde devem ser as prioridades. Abaixo, a carta na íntegra:

“Carta aberta aos pais, mães e responsáveis de alunos da Rede Municipal de Duque de Caxias:

Vimos, através desta carta, dialogar com a comunidade escolar sobre a situação do nosso município e da Educação da Rede Pública de Ensino.

De acordo com as notícias nas redes sociais, Duque de Caxias foi o último município da Baixada Fluminense a decretar o isolamento social de acordo com as recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e reconhecer a situação de emergência em saúde, conforme Decreto Estadual do Rio de Janeiro nº 46.973, de 16 de março de 2020.

Esta demora nas decisões e ações de prevenção do governo municipal transforma hoje, Duque de Caxias, no 2′ municipio do RJ com maior número de casos da COVID-19 e que não tem mais leitos para atender a população.

Temos acompanhado com muita preocupação as propostas da SME, sobre entrega de materiais impressos nas escolas, com atividades para os estudantes, que podem colocar em exposição pais, alunos, professores, diretores neste período de isolamento social.

E questionamos sobre essas atividades, já que não há interação com os estudantes, não podendo assim contar como reposição de aula, dia ou hora letiva.

A Secretaria Municipal de Educação também se organiza para lançar uma plataforma na internet que não considera a realidade de muitos alunos da Rede Pública.

Neste período de pandemia o acesso a alimentação, remédio e atendimento digno à saúde deve ser prioridade. Muitas famílias não têm o que comer, como podemos considerar que oferecer conteúdos por meios virtuais pode atender de fato a todos os alunos?

A dificuldade de possuir um aparelho de telefone, computador e internet para acessar a plataforma são requisitos impossíveis de se alcançar por muitos responsáveis e alunos.
Esta dificuldade provoca o que muitos especialistas chamam de exclusão digital.
De acordo com a Constituição Federal do nosso país, o direito à Educação Pública deve garantir a todos os alunos a igualdade no acesso à educação.

Por estes motivos, sempre priorizamos uma educação pública de qualidade.
As nossas ações, neste sentido, visam garantir o direito universal à educação. Hoje vivemos uma pandemia em que temos que priorizar a vida humana.

Respeitamos o direito do aluno em ter aula presencial. Para que a educação seja de qualidade e não, exclusão virtual ou pretexto para que no futuro, essas atividades on-line retirem, mais uma vez, o direito dos nossos filhos e filhas à educação de qualidade.

Diante do quadro exposto, queremos dialogar de forma que TODOS reflitam e busquemos JUNTOS soluções viáveis e não mais dolorosas do que o atual momento nos impõe. Observem as figuras abaixo, leiam as questões e reflitam.”

 


Marroni Alves

Filho, neto e bisneto de pernambucanos, Cidadão Baixada nascido no Hospital Duque, professor de História da Educafro, jornalista, tricolor e portelense. Nem sempre tudo nesta ordem.

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