Mobilidade Urbana II – NÃO ao BRT Gramacho – Imbariê

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A mobilidade urbana continua firme na pauta do dia. Nesse final de semana dois fatos marcaram posição na construção da agenda e das prioridades de investimentos em transportes na Baixada.

O primeiro foi uma nota no jornal O Dia (12/09) informando que a Dilma investirá 1,5 milhão em estudos de viabilidade do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ligando o centro de Caxias até Santa Cruz da Serra e de um BRT ligando Gramacho à Imbariê. Pergunta: Será que ela e o prefeito sabem que já existe um ramal ferroviário que liga Gramacho até Raiz da Serra, passando por Imbariê? Será necessário muitos argumentos (e conversa fiada) para justificar a construção de um BRT num trajeto onde já existe trem. Isso é muito sério!! Construir o BRT Gramacho – Imbariê não resolve o problema da mobilidade urbana de maneira nenhuma. Pior do que isso, ele impedirá o investimento nos ramais de Saracuruna e de Vila Inhomirim, já que a opinião pública estará em torno da construção do BRT. Desse modo, o investimento SÉRIO na aquisição de novos trens, na reforma das estações e na modernização da sinalização ficará para segundo plano, caso a prefeitura e o governo federal elejam o BRT como solução para o transporte. Infelizmente, mais do que resolver o problema do transporte na região metropolitana, o que existe é a vontade dos governantes em fazer grandes obras e contratar empreiteiras.

O segundo destaque foi a realização do Encontro Regional sobre a revitalização dos Trens de bitola estreita, realizado no sábado (14/09), no auditório da Unigranrio, em Magé. O encontro contou com a presença do Secretário Estadual de Transporte, Julio Lopes, o prefeito de Magé, Nestor Vidal, representantes da Supervia, da CBTU e do Movimento Popular. O saldo do encontro foi o anúncio feito por Luiz de Souza, da Supervia, e pelo Júlio Lopes sobre a implantação da VLT no ramal de Saracuruna x Magé. Segundo a Supervia, os estudos de viabilidade técnica já foram feitos e o VLT pode ser utilizado no ramal de bitola estreita sem a necessidade de grandes adaptações. Duas composições de VLT chegarão de Macaé até o final de 2013 e poderão estar em funcionamento no primeiro semestre de 2014. Para o ramal de Vila Inhomirim não existe a previsão de implantação do VLT. Apesar de tímida, essa é uma vitória importante. O movimento popular pela revitalização do ramal de Guapimirm e Vila Inhomirim luta há anos contra o descaso do governo. Se não fossem esses movimentos, certamente esses ramais estariam desativados. Portanto, o governo estadual se comprometer em implantar o VLT nesses ramais é um passo importante dessa luta.

Sem me alongar muito, percebemos que os protestos iniciados em junho estão provocando a resposta (tímida) do poder público sobre a questão dos transportes. No entanto, se não houver debate público sobre as prioridades da mobilidade urbana nas cidades, os investimentos federais não resolverão o problema e poderão gerar mais dificuldades e contradições no transporte da baixada.

Transporte de massa é o trem e o metrô. Precisamos de planejamento de longo prazo, que articulem esforços do governo federal, estadual e municipal. Não adianta dar uma resposta eleitoral (BRT leva de 2 a 3 anos para ser construído) para o problema dos transportes. É necessário ter visão estratégica para os próximos 10, 15 e 20 anos. O debate está na mesa.


Henrique Silveira

Henrique Silveira é geógrafo e mestre em Comunicação e Cultura pela UERJ/FEBF. É o Coordenador Executivo da Casa Fluminense.

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2 thoughts on “Mobilidade Urbana II – NÃO ao BRT Gramacho – Imbariê

  1. Aproveito para falar da Linha 3,que terá duas fases.Uma delas é Niterói-Guaxindiba,que será metrô propriamente dito.De Guaxindiba em diante será um complemento,um pré-metrô.Não ficou muito bem definido,mas parece que querem colocar um BRT nesse trecho.Sou contra!
    Tem que ser por trilhos mesmo,para se interligar toda a região Metropolitana,se ligando Visconde a Magé,e toda a malha ferroviária urbana!

    O ideal é VLT,mas se colocar trem diesel é melhor do que BRT!

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