Carlos Dafé

A história viva que o soul brasileiro nos apresentou também caminha também pelas ruas da cidade da pobre menina rica, o cantor Carlos Dafé. O “Príncipe do Soul” estava acompanhado da sua comitiva real: sua Princesa de longos anos, Mira, e dos herdeiros Dafezinho e Adriana. Voltavam do funeral do “Rei do Soul” Gerson King Combo. O mundo é pequeno para nós, povo negro, e sabe disso. Nas ruas coincidências ou acaso não existem, algo a nossa Ancestralidade anuncia. Paramos, e eu só queira ouvir o lendário Dafé me dizer que, mais do que nunca, é tempo de se cuidar, de ajudar quem mais precisa. Que a música tem o poder de alimentar a alma e o corpo. Com a lembrança viva de Gerson King Combo, falou de uma geração que continua fazendo história. De sua importância e da missão que ainda tem para fazer a diferença, nunca sozinho, nesse momento crítico e de incertezas. Ele que quebrou barreiras e preconceitos, junto com um reinado revolucionário. Despedimo-nos sabendo que outros encontros são urgentes e necessários, e que vão acontecer, enquanto temos fôlego.

Dafé mandou um recado para essa nova geração, em especial jovens negras e negros: buscar força na Ancestralidade, unir-se, construir consciência e assumir seu lugar na história. A oralidade é coisa de Griots, e deve ser ouvida.

O Poder é Negro!

 


Sílvia de Mendonça

Formada em jornalismo e produção cultural, Sílvia de Mendonça também é atriz e ativista do Movimento Negro Unificado (MNU). Também tem presença nas lutas contra intolerância religiosa, juventude negra e direitos humanos.

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