Tomar aquele cafezinho de lei, em pé, e se inteirar das notícias e fofocas políticas da cidade, vai ficar ainda mais difícil com o fechamento do Guimarães.

Desde os tempos que a prefeitura funcionava ali na praça Roberto Silveira o tradicional bar Guimarães fazia parte do “circuito Butantã”, como chamava o finado jornalista Alberto Marques, se referindo às cobras políticas que frequentavam a área, um arco de convivência que incluía o chope do lendário Mira Serra e o cafezinho sagrado do Guimarães.

Funcionários da prefeitura, assessores de vereador, advogados, povo de cartório, boateiros de plantão, figuras folclóricas da cidade, artistas, fauna clássica do bar. Antes da Barra da Tijuca se tornar o quinto distrito da cidade, também se topava com muitos políticos com mandato por lá, coisa que só se vê muito agora em épocas eleitorais.

Duas marcas fortes também do Guimarães, além do café, eram o famoso sanduíche de pernil, sanduíche desses à moda antiga de boteco, que quase não existem mais. E a figura absolutamente genial e sacana do Bil, o atendente que tava lá há anos com seu humor caracteristicamente nordestino.

O bar vinha já sabidamente capengando e como a crise tá braba e tá tudo fechando, era de se esperar que não resistisse.

Bar Guimarães fecha as portas


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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