Moro em Duque de Caxias, mas o que tenho a ver com a privatização da água? Vamos começar do começo? O ano de 1916, o presidente Nilo Peçanha ordena a instalação de uma bica d’água em “Vila Merity” então Distrito de Nova Iguaçu. Uma bica d’água vinda de Vigário Geral foi colocada no centro, onde hoje fica a praça do pacificador. Assim chegou a água em Duque de Caxias. Em homenagem a esse momento foi criado o “Monumento Bica D’ Água”, que infelizmente foi extraviado. Restaram apenas as crianças que estão preservadas no Instituto Histórico da Câmara.

Mas, a promessa de água na bica em outros bairros tomou força. Não dava para ir todo “santo dia” ao centro atrás da “branquinha“. O governador Roberto Silveira, quando visitando a cidade no dia 25 de agosto de 1959, solidarizou-se com o drama da falta de água e prometeu que a região do Jardim 25 de Agosto não ficaria sem água. Cumpriu! A estátua de Roberto Silveira na praça da antiga sede da prefeitura, é uma homenagem aquele que trouxe desenvolvimento. A tocha em suas mãos, simboliza isso.

Na Vila Ideal, os moradores iam rodando pelas ruas seus barris d’água ou iam até a “barrinha”, onde hoje fica o Laguna e Dourados pegar a “cristalina” no rio (hoje valão) ainda limpo! Água em Caxias é luxo e luta antiga!

Moro no Centenário, ao lado da CEDAE (final de rede), em plena pandemia não temos água para o simples ato de lavar as mãos e tenho todos os motivos do mundo para “achar” que privatizar a água é o melhor caminho. No bairro da Taquara, a Coca-Cola se instalou ao lado do manancial do Parque Natural (antigo terreno Nova América) e além de uma rotatória e alguns empregos, o que mais tem feito? Vale a pena entregar a água para beber coca?

Mas acontece que sou contra a ideia de privatizar a água! Explico por que e compartilho com os amigos:

Primeiro, todo mundo tem direito a água pura! Privatizar a água significa que alguém que tem dinheiro irá investir para ter mais dinheiro sob um bem que é direito universal! E do mesmo jeito que pessoas sofrem com a fome, teremos pessoas sofrendo com a sede!

Segundo, ideologizar o debate é a coisa mais tola possível. A pergunta que não quer calar: os empresários “humanistas” vão investir nas periferias e pequenas cidades do interior do Brasil? Quanto ficará o custo já caríssimo ao consumidor? Você que defende a privatização, confia nas empreiteiras do Brasil? Investimento privado não significa acesso, nunca significou e com certeza, não é esse o caso do saneamento.

Terceiro, o investimento privado vai chegar onde as pessoas mais precisam? Ou vão comprar o filé e largar o osso para o Estado, como sempre? Não deu certo no mundo, vai dar aqui? Quero ver a empresa enfrentar uma crise hídrica, igual a última de São Paulo, injetar dinheiro nas soluções, sem aumentar a conta. Sabe a bandeira vermelha da energia? Aguarde.

Mas não só crítico, penso que a solução é tratar Saneamento Básico como direito fundamental de todos. Setor privado tem que participar e Estado também. Eles se complementam. O perigo é privatizar o que funciona, extinguir o subsídio cruzado e os municípios sem saneamento (os que não dão lucro) do país e da nossa Baixada Fluminense, seguir como estão. A culpa da falta d’água não é da CEDAE, são de gestões que não tem compromisso em levar ÁGUA a quem precisa. ÁGUA é VIDA, ÁGUA é bem público e do POVO!


Marroni Alves

Filho da escola pública e de pernambucanos. Nascido no Hospital Duque, mas sempre no Hospital Infantil. Formado em História na FEUDUC, dou aula em pré-vestibular comunitário na Vila Ideal, Jardim Gramacho, Complexo da Mangueirinha e Xerem.

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