Devemos nos apropriar de nossas cidades. São nelas que nossas histórias são construídas, nossas vidas se entrelaçam com outras vidas. Onde as emoções do dia a dia são registradas por uma memória viva que dá sentido e identidade ao nosso eu coletivo.

A minha cidade é rica e as crianças andam com os pés em valas abertas, a minha cidade é grande e adolescentes são mortos nas esquinas, a minha cidade é bonita e destroem suas histórias com novas lojas nas antigas avenidas, a minha cidade é verde e das chaminés sai a fumaça que mata toda uma civilização.

Eu moro em Duque de Caxias e quero ver as crianças correndo nas praças, os adolescentes em bando dançando e cantando pelas calçadas, quero meu patrimônio como história viva, quero o verde da mata atlântica como parque de uma cidade que é plural.

Quero o desenvolvimento consciente que respeite a Baia de Guanabara e os rios que nela deságuam. Quero um ar mais puro e o orvalho das manhãs da minha Baixada.

Que as vozes se levantem e as mensagens se multiplique, as praças sejam ocupadas e das velhas cardeiras carcomidas pelo tempo do mandonismo e da corrupção sejam tirados aqueles que se proclamam os donos das cidades.

Que cidadãos insanos instalem a democracia e a participação.

Que os velhos discursos sobre a ordem sejam derrubados com mensagens, vídeos, fotos, mídias e todos os instrumentos tecnológicos das novas gerações.

Tomemos as nossas cidades porque não nos falta consciência e paixão!

Eduardo Prates – http://observatoriodoprates.blogspot.com.br

Observatório do Prates - foto: Igor freitas
Foto: Igor Freitas

Eduardo Prates

Professor, cientista político, cidadão do mundo, flamenguista, Imperiano, sujeito que acredita na auto-determinação dos povos para a construção de um mundo melhor.

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