Morreu Elton Medeiros, um dos grandes mestres da música brasileira, compositor desses que não nasce todo dia, craque na artesania de um tipo de linha melódica de alta complexidade por mesclar incrível e gostosamente simplicidade e sofisticação ao mesmo tempo. Tipo de melodia que nos últimos dois anos perdeu Wilson Moreira, Dona Ivone Lara e Wilson das Neves, só pra citar três de seus grandes representantes.

Das músicas de Elton, várias obras de arte que ficarão pra sempre no que há de mais vibrante no cancioneiro das rodas de samba pelo país.

Só as parcerias dele com Cartola e com Paulinho da Viola, O Sol Nascerá e Onde a Dor Não Tem Razão, já seriam suficiente pra decretar um feriado hoje pra gente ficar em casa curtindo.

Mas não. O Rio de Janeiro assiste anestesiado ao massacre de seu povo mais desassistido, justamente esse povo que é capaz de criar figuras geniais como Elton Medeiros. Tempos sombrios pra sutilezas poéticas.

Quem frequenta minha casa é testemunha que semanalmente boto pra tocar na pleiliste o Pressentimento, dele e Hermínio, na voz de Elza Soares, uma gravação que faz um bem danado pra alma, pra se cantar alto, um dos sambas que ilustra sua genialidade, tons maiores e menores, modulações, sangue, beleza, dessas coisas que só os mestres sabem como nos oferecer.

Vá em paz, mestre Elton Medeiros.

Elton Medeiros em foto linda de Ana Branco, O Globo

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[ heraldo hb – pitacolândia – setembro 2019 ]


heraldo hb

. Animador cultural, escritor e produtor audiovisual nascido no século XX. .

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