VERGONHA!
Não tem outra palavra para descrever o que aconteceu hoje na Câmara Municipal de Duque de Caxias.
O Plano Municipal de Educação é um plano decenal, que traça metas para os próximos 10 anos da Educação dentro do município, nas esferas municipal, estadual, federal e particular. Foi fruto de muita discussão entre governo e sociedade civil, desde 2010, sendo aprovado no ano passado.
A Conferência Municipal de Educação que aconteceu há duas semanas era para adequar as metas o plano municipal ao Plano Nacional (PNE).
A questão de gênero já estava no PME aprovado no ano passado e sequer foi discutida na última Conferência. Mas os vereadores, que aprovaram ano passado (sem ler, possivelmente), disseram que o Governo mandou o projeto em cima da hora e não deu tempo de discutir a questão (???). Mas o mais vergonhoso foi o fato de convocarem igrejas ditas evangélicas para aprovar a retirada da questão de gênero do plano, com um discurso absurdo: em defesa da família, e usando nas redes sociais imagens de uma cartilha que supostamente seria dada a crianças de 6 anos para “ensinar sexo na escola”.
Caros vereadores, eu também sou cristão, eu também tenho família! Nenhum professor quer destruir família alguma. Muito pelo contrário, somos a favor de todas as famílias. De configurações familiares que já existem na sociedade e que inclusive já são a maioria no país. Nenhuma lei vai modelar o núcleo familiar, pois as pessoas se relacionam por afetividade, não por força de lei.
Outra coisa absurda foi ouvir que sexualidade não pode ser ensinada nas escolas, pois isso é papel da família. Parece até que a vida é igual àquele programa humorístico em que os pais entram no quarto para ajudar o namorado da filha a colocar o preservativo. Os senhores (e senhoras) vereadores (as) desconhecem que a Educação Sexual é um tema transversal presente nos PCNs desde os anos 90, e, se for realizado com eficácia, reduz o número de adolescentes grávidas e DSTs? Caxias retrocedeu uns 20 anos hoje.
Somente o vereador Nivan Almeida teve a sensatez e coragem de votar não à proposta de supressão. Já os demais engrossaram o discurso de “defesa da família”, sobretudo a Fatinha Pereira, presidente da comissão de Educação, que enfatizou o termo “tradicional”, e a proposta passou com 19 votos a 1. Muitos, claro, para ficarem bem diante da plateia majoritariamente evangélica.
Evangélicos, acordem! Vocês estão sendo usados como massa de manobra para que políticos inescrupulosos se perpetuem no poder.

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vereadores de Caxias retiram questão de gênero do Plano Municipal de Educação

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