Copa do Mundo e Olimpíadas. O Rio de Janeiro possui uma puta agenda internacional e esse é um ótimo momento para pensar numa Agenda Metropolitana Contemporânea. Existem muitas coisas para falar sobre o modo de viver em aglomerados urbanos com mais de dez milhões de habitantes: saneamento ambiental, eficiência energética, acesso às redes de informação e comunicação, serviços públicos de saúde e educação, violência, política de drogas, produção e consumo de bens simbólicos etc. Qualquer idiota ao ser perguntado sobre o tema de transporte e o problema dos engarrafamentos, responderá que um caminho racional para essa questão é o uso do transporte de massa sobre trilhos, vulgo trem. Pausa para pensar e fazer um parágrafo.

Sinto enjoo ao falar desse assunto. Viver em Imbariê e conviver com um trem a diesel em pleno século XXI é frustrante. Quando entramos na estação Central do Brasil, pagamos o mesmo preço, mas não temos o mesmo serviço. Enquanto um passageiro pega um trem com ar-condicionado em direção ao Engenho de Dentro, eu preciso, para chegar em casa, ir até a estação de Saracuruna no trem elétrico e depois fazer baldeação pra pegar o trem Maria fumaça até Santa Lúcia. Quem chega a Saracuruna pode esperar mais de uma hora pra pegar a porra do trem até Raiz da Serra. Tem gente com fome. Trabalhar o dia inteiro no centro do Rio e levar quase TRÊS HORAS pra chegar em casa não é mole. Tem gente com fome dá de comer.

O que pode ser feito?

A história da luta pela modernização desse ramal de trem é muito interessante e merece ser contada. Essa linha seria desativada na época das privatizações, mas resistiu graças à luta dos passageiros. São sete estações ao longo de 15km. Ela é mais um capítulo da história dos movimentos populares de Duque de Caxias. Mas eu não vou contar hoje. Somente quero desabafar minha frustração ao ver tanta farra com o dinheiro público e tanto descaso com o trabalhador que constrói a cidade Maravilhosa, vendida em belas imagens para investidores internacionais. Os governos investem milhões em estádios e obras para os eventos. Pegam dinheiro emprestado com o Banco Mundial e fazem obras com valores três vezes acima do combinado. Sorrisos, ternos caros e pose para as fotos. Está vindo BILHÕES EM INVESTIMENTOS para nosso estado. Será que eles estão preocupados com o trem nosso de cada dia? Estudos indicam que 15O milhões de reais seriam necessários para modernizar o ramal. Muito barato diante do beneficio! O tempo passa e o problema continua. Onde está o trabalhador? Na estação de Saracuruna esperando o próximo trem para Raiz da Serra…

 


Henrique Silveira

Henrique Silveira é geógrafo e mestre em Comunicação e Cultura pela UERJ/FEBF. É o Coordenador Executivo da Casa Fluminense.

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