Margem é uma exposição coletiva integrante da programação do projeto “Palavra Líquida”, elaborada a partir do universo do Slam. Quando fui convidada pelo SESC Rio para fazer a curadoria logo chamei como colaboradora a artista visual Nathalie Peixoto, uma caxiense parceira na aventura que é fazer arte partindo da Baixada Fluminense. Do Slam saltaram pulsantes seus corpos, palavras e espaços que performam a cidade em poesia. Chegamos a Margem. Essa camada da população que é impactada historicamente por processos capitalistas, pelo patriarcado e pela branquitude. Dela emergem artistas e pensadores com suas pautas urgentes, sobretudo o direito de fazer arte.  Enquanto estruturas classistas, sexistas, heteronormativas e racistas os excluem de um centro, esses artistas criam novos espaços, formas e sentidos, se apropriando da marginalidade da própria arte para afirmar uma existência, e consequentemente, uma resistência. Essa Margem cresce junto com a intensificação do neoliberalismo, estoura e invade a indústria cultural, a academia, as marcas e instituições. A Margem que transborda é, agora, a própria metrópole.

Vejo esse transbordamento na nova geração que atravessou a academia para saudar os novos saberes. Na ancestralidade que enlaça o coletivo matriarcal Mulheres de Pedra e a afrofuturista Andressa Núbia. Em um coletivo de arte contemporânea criado por jovens mulheres negras artistas visuais, o Trovoa, com Carla Santana, Ana Clara Tito e Ana Almeida. Nos grafiteiros que produzem telas como Mateus Maia, o Bastardo, ou esculturas como o Leo Rack e seus achados da Avenida Brasil. No Denilson Baniwa fazendo lambes com o vocabulário de seu povo amazônico, e no Heraldo HB com seus tirinhos na Biblioteca. Na “A misoginia está vazando” de Aleta Valente, que está exposta aqui, com muitos pensamentos sobre ela nos corredores. Nas xilos de Leylle, no ilimitado universo gráfico de Rodrigo Rosm e na carranca hi-tech de Jefferson Arcanjo. Nas poesias de Rafael Amorim, que talvez ainda estejam debaixo dos nossos pés. Nos deslocamentos de Agrippina R. Manhattan e na bandeira imperativa do Frente 3 de Fevereiro em Madureira. Nos segundos poéticos que Thais Linhares congela e na píton de Taís Lobo e Natana Magalhães. Por entre todo esse incontrolável derramamento a escultura do Willian Maia nos guarda. São 21 artistas e mais de 50 obras, muita fronteira na urbe, e, sobretudo, muita arte à Margem.

Ficamos em exposição até dia 15 de dezembro, e como gostamos de fazer festa dia 7, sábado, tem Pré-encerramento com performance do Barracão e dia 15, domingo, fechamos a coletiva com Porãx e Denilson Baniwa.

 

Informações:

https://www.facebook.com/events/984053078611650/?event_time_id=984091935274431

Giordana Moreira Nathalie Peixoto - exposição Margem
Nathalie Peixoto e Giordana Moreira, curadoras. Margem Expo Sesc Madureira – Fotos Erbs Jr
Artistas na Margem Expo Sesc Madureira – Fotos Erbs Jr


Giordana Moreira

Produtora Cultural, fundadora da Roque Pense! rede de Mulheres Produtoras Culturais, e cria da Baixada Fluminense de onde faz rock, cultura urbana e feminismos para o mundo.

More Posts