Antes da onda de bailes funks que mobilizam milhares de jovens pela cidade ou das tribos alternativas que tem no Bar do Zeca, no Tomarock ou na Lira de Ouro seus espaços preferidos, existiram clubes que arrastavam multidões para seus salões e quadras.

Na década de 40 e 50 os bailes da cidade com suas orquestras e “big bands” faziam aqueles com mais recursos se mexerem no Clube Aliança, que desde 1945 localizado na “Praça do Relógio”, descaracterizada pelo atual prefeito; no Clube dos Quinhentos, que tinha a proposta de ter este número de sócios; e o “Aristocrático da Colina”, nome pomposo e elitista do Recreativo Caxiense. Desta época também são os clubes da periferia frequentados por aqueles que tinham menos recursos: “Gramachão”, o Belém, o Itapemirim e outros.

Já no final da década de 70 e na de 80 os jovens se dividiam em “blacks” e “cocotas” e se diferenciavam pelos ritmos musicais e estilo da roupa. Das pantalonas às calças com as cuecas à mostra. Dos cabelos ouriçados aos cheios de pasta ou com topete “à la John Travolta”. Os mais ousados copiavam o estilo “Michel Jackson”. Nesta década, o CAP de Caxias com a “Tropicália” iniciava seus bailes ao som de Barry White. O Clube dos 500, com a “Music House” animava o povo da 25. O Center Clube, que hoje abriga um dos templos da Igreja Universal, juntava as duas tribos e “Paulinho Apocalypse” agitava o Recreativo e o alto da Colina. Os que tinham mais recursos frequentavam o sofisticado “Justinu’s Discotheque”, com salão moderninho e frequentado por jogadores e artistas que vinham do Rio para prestigiar seus bailes. O “Farolito”, próximo ao viaduto do Centenário, apesar de bacaninha, teve vida curta. No Pilar ainda existia o Sport Pam, em Imbariê tinha o CRAI e em Saracuruna o Rosário, citado na biografia do Tim Maia escrita por Nelson Motta.

Todos os bailes tinham um ponto em comum que hoje está totalmente esquecido: à meia-noite em ponto o som balançante parava e se iniciava a “musica lenta” que proporcionava uma aproximação maior entre os casais e um roça-roça no escurinho. Ou, quem sabe, amassos mais intensos nos paredões do clube.

Nestes espaços ocorriam eventos memoráveis: os tradicionais bailes de carnaval, os festivais de chopp, o encontro de equipes e as apresentações de grandes nomes da música: Roberto Carlos, Tim Maia, Bebeto, Black Rio, The Fevers, Os Labaredas, Renato e seus Blue Caps, Marcos Sabino, Biafra, Marcos Valle. Neles também fortaleceu-se o Movimento Rock Brasil com as apresentações de Lobão, Lulu Santos, Blitz, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e outros.

Durante minha pesquisa a tristeza bateu ao verificar que os clubes que ainda estão em atividades não preservam sua história, principalmente a fotográfica. O que eles foram e representaram no passado merecia uma grande exposição que revitalizasse a memória da cidade e fortalecesse a identidade local.

 

clube dos 500
Clube dos 500. Brasão comemorativo dos 50 anos.

 

Clube Recreativo Caxiense

 

Clube Recreativo Caxiense
Clube Recreativo Caxiense – fachada do salão nobre

 

Clima dos bailes

Alexandre Marques

Alexandre Marques é professor de História. Contato: alxmarques@ig.com.br

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