Os fundos da Baía de Guanabara tem por característica seus manguezais bem preservados (com exceção do de Caxias que está sendo destruído, como pode ser visto pelo Google Maps). A foz dos rios eram a porta de entrada dos colonizadores na corrida do ouro em Minas Gerais. Devido a isso, várias edificações foram erguidas no território, sobretudo igrejas que não serviam só para a devoção, pois também tinham a função documental que os cartórios desempenham hoje.
Feitas de pedras e posteriormente tijolos maciços, com o poderoso óleo de baleia na liga, as construções resistem ao tempo e ao abandono do poder público. Este é o caso do Porto de Estrela (não dá nem pra chegar mais nas ruínas da Igreja) e da antiga fábrica de pólvora construída no Porto do Calundu e depois transferida para Raiz da Serra. Recentemente a Petrobras implantou dutos no local, deixando o terreno instável, mas sem danificar as ruínas que, vencido o mato. podem ser visitadas.
O Remanso do Suruí, foz do rio que dá nome ao bairro, apesar de distante da cidade, recebe diversos grupos que estão em busca de um local sossegado para seu lazer e, até, para se refrescar do calor do Rio de Janeiro. Por fazer parte da APA Guapimirim, está bem preservado e relativamente limpo. Marlucia me contava das histórias de sua infância, quando o pai lotava um ônibus e trazia uma galera para passar o dia. A beleza do lugar é de fato encantadora.
Do Suruí fomos, ambos, conhecer e explorar o bairro Barão de Iriri, que ela também não conhecia. De cara ficamos encantados com a área de mangue que margeia o Rio Iriri. As características são parecidas com a do Remanso, mas com uma vista panorâmica da Serra dos Órgãos que, somada ao belo dia de sol, compôs paisagens que mais pareciam pinturas. No final há uma pequena praia com marcações nas pedras que aparentemente são vestígios de povos indígenas que viveram na região. A intenção da Marlucia era achar o sítio arqueológico onde foram encontradas cerâmicas indígenas, mas nenhum morador sabia responder. Contudo, vários nos recomendaram procurar o sr. Orlando, morador antigo do bairro, dando como referência uma grande árvore centenária. Quando achamos o sr. Orlando (e já agendamos uma entrevista com ele), ele contou que havia um tronco (pelourinho) aos pés dessa árvore, o que evidencia a antiguidade dela. Contou também que todo o bairro era uma fazenda, que possivelmente poderia ser do Barão, o qual sabemos muito pouco.
Por fim, já na hora da chuva vespertina, fizemos o retorno em Santo Aleixo e adentramos no bairro chamado Vila Inca. A intenção era buscar a referência para esse nome, mas não encontramos ninguém que pudesse nos dar alguma pista. É o próprio patrimônio que nos fornece: com a ajuda dos moradores, encontramos a, conhecida por eles como “igreja de pedra”, capela de Sant’Ana do Iriri. Como o bairro também margeia o Rio, provavelmente a construção da Rio-Teresópolis cortou o território que deveria ser uma coisa só.
A maneira como as ruínas estão preservadas me fascinou. Até o portal de pedra sabão está quase intacto. Seu estilo é o mesmo da Capela N. Sra do Rosário, em Taquara, a qual também lutamos para tombar antes que a Coca-Cola ‘tombe’. O fato de haver fios e lâmpadas demonstra que a comunidade ainda utiliza o espaço, apesar do mato alto no entorno. Mas uma nova igreja com a mesma devoção foi construída um pouco antes, na estrada principal.
A visita às ruínas encerrou nossa expedição, mas semana que vem tem mais pois o sr. Orlando ficou de nos mostrar um antigo cemitério de escravos. Isso deve fazer o álbum aumentar.

Continua…

( e aqui, todas as fotos: https://photos.google.com/share/AF1QipM1qWIZY-B0I8XOvOOh4vCFWnA72lj8Uwr_Ep66V9v-z0nOFqTb8law5l1yt1ZSvw?key=ZU5pU2dELUVJLUpHVjVibk5Jb3JJdnc3ZzdXa1pR )

fundos da Baia Filipo Tardim