Por Daniela Lopes

As novas e diversas demandas socioculturais que emergem neste momento histórico, provocando uma espécie de reinvenção do Estado, traduzem-se em alterações estruturais da realidade social, que evidenciam e intensificam as já existente violações de direitos em nosso país! Sob a perspectiva da desigualdade social percebemos nesses tempos de crises pandêmica e política tanto o agravamento da deficiência na aplicabilidade das políticas públicas que viabilizam nossos direitos constitucionais, quanto o resultado de uma herança negacionista da pauta política e ideológica em nosso trato comum! Refletindo um distanciamento providencial da população das práticas institucionais públicas! .

Na consolidação de meu ativismo nos últimos anos, percebo o Movimento de luta por direitos dos coletivos comunitários, enquanto ator político fundamental em meio ao processo de redemocratização brasileiro, que ao meu ver, 32 anos depois parece não estar ideologicamente consolidado, vivendo seu período de maior fragilidade até então, visto a crescente movimentação pela volta de um regime totalitarista, intensificado após as
eleições de 2018.

Essa não consolidação de nossa democracia, ou numa projeção pessimista, essa democracia terminal que estamos vivendo, nega um dos principais pilares que a constitui, que é o pressuposto de que seu processo efetivo se dá a partir e principalmente na perspectiva da promoção da igualdade e temos assistido atualmente justamente a legitimação do contrário disso…numa conjuntura, que agiganta nossas deficiências e desigualdades através de pautas excludentes, negligentes , meritrocráticas, e em pastas como a do meio ambiente, inclusive criminosas!

Há de se reagir ao “vírus” totalitarista que tenta acometer nosso atual regime político com a mesma força e organização que temos enfrentado o corona vírus! Dois grandes e desgastantes desafios a serem urgentemente combatidos! Reavaliando nosso caminho de 1988 até 2018, não é pretencioso dizer que nunca antes houve a federalização escancarada e grifada em palavras chulas, da apropriação de instrumentos do Estado para benéfice de determinados grupos (afinados ideologicamente com a gestão Bolsonarista), como neste momento!

Grupos estes abertamente contrários ao Estado democrático de direito e que contraditoriamente não configuram um conservadorismo, nem um liberalismo mas uma ideologia colonialista, equivocadamente judaico cristã, pautada no ódio e em toda espécie de pré conceitos, tais como: homofobia, misoginia , xenofobia, racismo e me arrisco a dizer que diante da pauta Covid-19 e da insistência no isolamento vertical, (se é que esse tipo de isolamento existe), há indícios até de falas eugenistas, por mais agressivo que isso possa soar!

Particularmente entendo que não seja possível catalogar a onda ideológica surgida no Brasil, através do Bolsonarismo, que inclusive se sobrepõe ao próprio Bolsonaro. Essa configuração ideológica enfatizada mas não surgida no governo Bolsonaro, (essas pessoas e suas idéias já existiam antes) materializa publicamente a política do cabresto, através da repressão e intimidação dos adversários políticos tão como dos movimentos sociais e da imprensa, ( muitas vezes com ameaças a integridade física dos militantes e ativistas), numa espécie de autoritarismo que é desprendido tanto pelo próprio governo federal, quanto por parte dos grupos afinados a “ele”. Isso faz com que haja forçadamente uma redução na capacidade de oposição e resistência social.

Paradoxalmente, evidencia a extrema necessidade de uma movimentação antagônica efetiva e vigilante que nos permita refletir as urgentes e necessárias transformações no projeto político atual! Precisamos elevar o tom politicamente! Não há tempo para amenidades… É hora de reafirmarmos nossa democracia, nosso compromisso com os tratados de direitos humanos e ambientais! Nossos princípios humanitários!

O indescritível vídeo da reunião ministerial nos faz olhar nos olhos do desmando cru mas não nu! O absurdo bolsonarista vem trajado de nova política! De defesa do povo! Seus idólatras bravam ter sido o linguajar corriqueiro e falta de trato (dos males os menores), os motivos que demonstram o tal “novo”… o que não se alia, não se corrompe! Mesmo que todas as evidências tragam em detalhes óbvios o inverso. Devemos estar mais do que nunca conscientes do papel do Estado na nossa sociedade! Do Estado Democrático de Direito! Não entregaremos nossa democracia! Não desistiremos de nossa dignidade! Estamos atentos ao revanchismo militarizado, pautados, fortes, sem tempo de temer a morte… e vamos cobrar às 3 esferas, suas respectivas responsabilidades. Não fugiremos da luta!

Daniela da Silva Lopes, é moradora e liderança comunitária do Complexo do Centenário em Duque de Caxias. Assistente Social, Especialista em Políticas Públicas de Enfretamento à Violência Contra a Mulher pela PUC-RJ e atriz da Escola de Teatro Popular, Centro de Teatro do Oprimido.


Marroni Alves

Filho, neto e bisneto de pernambucanos, Cidadão Baixada nascido no Hospital Duque, professor de História da Educafro, jornalista, tricolor e portelense. Nem sempre tudo nesta ordem.

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