NÃO É PROFECIA…

Mas como todos nós sabemos, o Brasil foi o último país do planeta a abolir a escravidão. E pode ser o último a se livrar da Covid-19.

Há um vídeo no Youtube, quem quiser pode procurar, onde o então deputado Jair Bolsonaro diz numa entrevista, que se um dia chegasse à presidência da república iria morrer muita gente. O repórter quis saber quantas pessoas. E a resposta foi: “Ah, muita gente. No mínimo umas trinta mil”.

O fascista chegou ao poder e já em seu primeiro ano de governo ganhou um aliado poderoso, invisível e onipresente, que o vem ajudando a consolidar o seu único projeto político: disseminar a morte sobre o solo brasileiro.

E para isso ele conta com a colaboração de muitos aliados visíveis. Não falo apenas daqueles que todos os fins de semana, religiosamente, se aglomeram à frente do palácio, desfraldando bandeiras em seu apoio. Mas, também, de gestores irresponsáveis, como o prefeito Washington Reis.

Mesmo sabendo que Duque de Caxias é o segundo município com o maior número de óbitos no estado, ele programou para a próxima segunda-feira (25), a escancaração de todo o comércio da cidade.

Um balanço atualizado pelas secretarias de Saúde de todos os estados, divulgado ontem (dia 21), nos mostra que o número de mortos no Brasil já chega à casa dos 21.112. Enquanto escrevo, muitos outros óbitos estão se consumando, entre os 312.074 casos confirmados até a mesma data. À parte, claro, as subnotificações que sabemos existirem, em ambas as contabilidades.

Se levarmos ao pé da letra o projeto do fascista, faltam menos de dez mil óbitos pra fechar sua previsão. Mas como o poder é insaciável, não podemos descartar a ideia de que ele, levado pelos “bons resultados” de seus propósitos, queira ampliar esse número
a uma quantidade que atenda ao nível de sua psicopatia.

Aí, como costumo dizer: quem viver… morrerá.


Eldemar de Souza é jornalista e escritor.