Em um interessante trabalho apresentado à Universidade Federal Fluminense, Giuliana Monteiro da Silva nos apresenta a trajetória do samba em Duque de Caxias. Nele são relacionadas algumas rodas de samba, alguns blocos e alguns percussores desta manifestação cultural na cidade.
Uma das primeiras rodas surgiu no Boteco do Silvino que ficava próximo à Fábrica de Vidros, no local que hoje é ocupado pelo 15° Batalhão de Polícia. O “Chora no Buraco” misturava samba, calango e reisado. Estas duas últimas tradições perdidas na cidade. Os que resistiram ao “choro” fundaram, em 1934, o Capricho do Centenário. Tendo Jair Lobo com um de seus fundadores, foi transformado em Escola de Samba, foi legalizado por Vargas e desfilava na avenida Rio Branco juntamente com as grandes escolas de sua época. No ano seguinte foi criada a União do Centenário.
Em 1938 foi criada a “Vai como Pode” que depois se denominaria Escola de Samba Cartolinhas de Caxias. Instalada na Itatiaia, formada basicamente por funcionários da Leopoldina Railway, antiga Rede Ferroviária Federal e freqüentada por Nelson Cavaquinho, Cartola, Paulinho da Viola, Sérgio Cabral e outros. Na mesma época surgiu a Escola de Samba União do Centenário, campeã do carnaval carioca de 1956 com um grandioso desfile na Praça XI.

Na década de 40 foi criado o Unidos da Vila São Luiz onde nas rodas e nas conversas prevalecia o “chá de macaco”, uma cachacinha da boa que era acompanhada por angu à baiana, mocotó, feijoada e outros petiscos. Sua sede também abrigava um clube do mesmo nome.
Desta época ainda se destacavam as rodas que ocorriam no Belém Futebol Clube, no Esporte Clube Gramacho, no Aprendizes no Parque, no Bloco Baianinhas Brasileiras e no Clube dos Veteranos, onde surgiu o Bloco Puro Sangue.

Em 1979, seguindo a tradição iniciada na década de 30, foi criado o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio. No mesmo ano de criação da Grande Rio foi criada a Associação Carnavalesca de Duque de Caxias e agregava vários blocos que desfilavam na cidade e concorriam entre si para desfilas nos grupos de acesso.

Até a década de 90 os blocos que desfilavam partiam da Fortaleza do Tenório Cavalcanti, seguiam pela presidente Kennedy até a Praça do Pacificador e reuniam os grandes sambistas da cidade: Jair e Otávio Lobo, Hélio Cabral, Osmar de Oliveira, Zezinho do Capricho e outros. Os três primeiros são considerados os percussores do samba na cidade.

Atualmente, numa cidade em que fervilha o samba em clubes, bares, lares e botequins; na qual um dos diretores da ACDUC, que agrega 13 blocos carnavalescos, ocupa um cargo na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e na qual a Escola de Samba da cidade pouco se envolve com a comunidade, é lamentável a ausência de políticas públicas para este segmento. “Chora Cavaco!!!”


Alexandre Marques

Alexandre Marques é professor de História. Contato: alxmarques@ig.com.br

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