assangetimesFundador do Wikileaks, Julian Assange, realiza uma análise verdadeira e reveladora sobre a concentração da mídia e os principais gargalos democráticos em relação à produção e distribuição da informação no Brasil e no mundo. “Quando falamos em liberdade de expressão, temos de incluir a liberdade de distribuição, uma das coisas mais importantes que a internet nos deu” declara Assange.

Trecho da entrevista de Julian Assange:

A primeira responsabilidade da imprensa e em primeiro codifo de ética é acuracy. Tudo começa com você precisando dizer a verdade. Essa precisa ser a primeira coisa. E também ser representativa. Não é porque sua organização é de propriedade de alguma família. Há um grande problema na América Latina com a concentração na mídia. Ainda que, se há seis famílias que controlam 70% da imprensa no Brasil, o problema é muito pior em vários países. Na Suécia, 60% da imprensa é controlado por uma editora. Na Austrália é muito pior, 60% também da imprensa escrita é controlada por Murdoch. Portanto, quando falamos em liberdade de expressão, temos de incluir a liberdade de distribuição, uma distribuição adequada e uma das coisas mais importantes que a Internet nos deu é a liberdade na prática de distribuição, se as pessoas estão interessadas no assunto. Não quer dizer que você pode levar algo a um milhão de pessoas com publicidade. Mas você pode montar um blog e, se as pessoas já estão interessados, podem ler.

Se levarmos em consideração que países como Suécia e Austrália a massa da sociedade, para não dizer mais de 95%, tem acesso a internet e possuem computadores pessoais, percebemos que o Brasil tem grande possibilidade de avançar no acesso a informação e na disputa por um espaço midiático mais democrático. Milhões de pessoas em nosso país estão distante da internet e dos computadores e, principalmente, dos fóruns de participação política. Lutar, na forma de guerrilha digital, nas frentes institucionais por programas e projetos que garantam o acesso a informação de maneira isenta e verdadeira deve ser uma bandeira que devemos defender em todos os fóruns de debate.

A concentração do poder midiático no Brasil está diretamente ligada às famílias que reproduzem um modelo coronelista de política em seus rincões de poder. Na Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte e tantos lugares do Brasil que a concentração da Mídia acaba permitindo a eleição do Senador Renan Calheiros (mentor do governo Collor de Melo e réu na acusação dos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos), Deputado Henrique Eduardo Alves (42 anos como deputado em 11 mandatos consecutivos e grande representante da oligarquia do RN), Senador José Sarney (Ex-deputado, Ex-presidente da República, Ex-presidente do senado e patriarca da família que dirige o Maranhão com base na miséria e no mandonismo local) ou ainda a família ACM na Bahia (criada nas tetas da ditadura ganhou o domínio e a hegemonia do poder de comunicação no Nordeste)…

Então a esperança de redefinirmos as relações de força está na saída de milhões de Brasileiros dos níveis de miséria absoluta e a entrada no mercado (desta nova cidadania mercantilizada) como cidadãos mais pragmáticos e dispostos a romper com as tradicionais e conservadoras formas de poder e dominação daqueles que não tem acesso a informação de qualidade e crítica.

A internet tem se revelado uma arma fundamental no conflito pelo exercício da cidadania e na diminuição das desigualdades sociais. Neste sentido, o atraso que o Brasil tem em relação as nações mais desenvolvidas pode ser um importante diferencial na construção de novos instrumentos de comunicação que contemple de forma crítica e participativa os milhões de brasileiros que serão inseridos na sociedade.

 

 


Eduardo Prates

Professor, cientista político, cidadão do mundo, flamenguista, Imperiano, sujeito que acredita na auto-determinação dos povos para a construção de um mundo melhor.

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