Era 92 ou 93, quem vai lembrar? A precisão da data não importa, o que interessa aqui é o fato. Na antiga loja Darkside (atual Skate Rock), localizada no calçadão da José de Alvarenga em Duque de Caxias, encontrei o Yba, um amigo mais jovem que hoje assina poemas pelo nome Ricardo Villa Verde e participa comigo do grupo de poetas Compulsores de Partida, do qual também participa Gordack. Bom, voltando ao fato, eu e Yba ficamos conversando e olhando as garotas que passavam pelo calçadão, não me lembro do que falamos naquele dia, apenas de uma coisa que ele me disse: “Um dia podemos montar uma banda. Estou aprendendo bateria.”
Os anos passaram e já era 1996, eu (vocal) e outros amigos, Henrique (guitarra) e André (baixo), começamos a montar uma banda que batizei de Leptospnoise. Neste período, quem deu uma forcinha na guitarra também foi o Edimar, ou Madmar, pois era muito parecido com o cara da Mad! Buscávamos um som pesado, entre o Hard Core, o Grind e o Metal. Mas precisávamos de um baterista e como o André já havia tocado com o Yba na segunda encarnação da banda Os Embriões, foi decidido convidá-lo. Convite feito, convite aceito.
Madmar durou pouco tempo e quem foi dando as caras nos ensaios do Leptospnoise (que agora aconteciam em uma casa vazia no quintal do Yba), foi Márcio Rex, que também tocou guitarra na segunda encarnação dos Embriões. Nossos ensaios aconteciam todos os sábado e chegaram também a acontecer nos domingos. Não éramos santos, nunca fomos! Por isso, nem sempre saímos dos ensaios da mesma maneira que chegamos! O Márcio foi assistindo e acabou entrando na banda, uma semana antes do primeiro show!
E no dia 10 de agosto de 1996, o Leptospnoise fez o seu batismo de fogo em um festival de rock promovido por um conhecido, chamado Piu-Piu. Nesse show como nos seguintes, mantive a tradição de só me apresentar com uma garrafa de licor de menta ou de hortelã antes do show e outra durante! Era uma festa ao melhor estilo Grind/Death Metal! Este show aconteceu em um colégio, tinha uma cerca que separava a banda do público e eu chutava aquela porra como um verdadeiro insano! Nosso repertório estava quase inteiro nessa época e não tocávamos covers! Apresentamos músicas que caíram no gosto e no mau gosto do público como, Desperte Soldado, Defecando na Tv e Miséria, esta última, muito pedida nos shows!
Neste primeiro show tocamos junto com outras bandas, mas honestamente, só lembro-me do Political Speech e do Tornokrê, de Magé. E foi esse pessoal de Magé que nos assistiu e gostou tanto que, nos convidaram para tocar em outro festival, dessa vez em um sítio, lá pelas terras deles! E esse festival foi super legal, teve ônibus de turismo para nos levar e trazer, nos sentimos até banda grande, rsss!!!  Nessa época eu já mantinha contato com Ed e Cris Vomit, da banda Hell Vomit, do Flamengo. Eu os convidei e eles foram até lá. Conversamos todos e bebemos bem. Eles nos assistiram de madrugada e curtiram. Vários amigos de Caxias também estavam lá e ficaram para nos ver. Fomos a penúltima banda se não me engano. Depois o ônibus nos trouxe de volta e eu não lembro mais de muita coisa a não ser ficar cantando uma garota que se chamava Janaína e morava em um lugar de nome duvidoso, Pau Grande!???
Depois do show de Magé, voltamos a ensaiar e vieram outros shows, como no Night Clube e no Clube Belém, ambos em Duque de Caxias. No Belém tocamos com as bandas Political Speech, Protesto Suburbano, Hell Vomit, The Endoparasites e Gangrena Gasosa. Houve até divulgação no programa Cidade do Rock, da Rádio Cidade! Vale lembrar que a nossa amizade com o pessoal do Hell Vomit cresceu tanto que todos os shows que passamos a fazer, convidávamos eles para tocar também.
Depois lançamos a demo tape com 11 músicas! Eram elas, Epidemia Radioativa, Miséria, Defecando na Tv, Desperte Soldado, A Paz Reinará, Asas Pra Voar, Rastafora, Prostituição, Sistematizado, Liberdade e Tatto é Arte.
Fizemos um show histórico no Clube Velho do Jardim Metrópole, numa data ingrata que era a mesma do show do Sepultura com Ratos de Porão, no antigo Imperator, no Méier. Para nossa sorte, o velho clube do Metrópole até deu um bom público. Neste show um punk agitava durante as nossas músicas e um segurança veio tirar ele do meio das pessoas. Parei o show e com autoridade mandei o segurança soltar o punk porque ele estava apenas dançando, não estava fazendo nada demais. Fui até áspero demais, porém, o segurança me atendeu sem dizer um ai. O punk, que era novo, veio até a beira do palco e me agradeceu apertando a minha mão!
Mais dois shows aconteceram, um no centro de São João de Meriti em um lugar que não lembro a porra do nome e um na quadra da Unidos da Ponte, que não deu praticamente ninguém! Depois disso, a banda desanimou e acabou. Tentamos voltar, fizemos duas músicas novas, um hard core chamado A Humanidade Está Morrendo e outra que era pesadona, mas também não lembro do nome.  Estávamos progredindo, mas não deu. O Yba saiu e o pessoal parou de vez. Volta e meia, um ou outro integrante fala em voltar, normalmente quando está bêbado ou nostálgico. Eu voltaria com imenso prazer!
Este ano, 2011, com a ajuda de minha amiga Monique, foi feito o myspace do Leptospnoise e coloquei as músicas de duas demos lá, a oficial gravada em um ensaio num estúdio lá da Tijuca e uma piratona, antes do show do Belém. Visitem o myspace do Leptospnoise, ouçam as músicas, mas lembrem, elas estão muito cruas e nós estávamos muito verdes. Se tivéssemos continuado, teríamos amadurecido e consertaríamos os nossos erros. As músicas são legais. São boas lembranças daqueles velhos tempos undergrounds!
Leptospnoise – 96/97, Duque de Caxias, RJ.
Tubarão