Não importa quanto você tenha no bolso, andar pela feira de Caxias é se sentir no centro do universo. É tanta cultura que parece um exagero. E é, graças a Deus! Caxias tem as raízes no norte e do nordeste em seu sangue, assim como o Brasil é negro na sua alma.

Tive o privilégio de morar em Maceió, capital de Alagoas, por 5 anos da minha vida, mas foi na feira de Caxias que conheci o Baião de Dois. É claro que o nordeste não cabe em Alagoas, mas parece caber na feira de Caxias. Quantos cheiros, quantas cores, formas e formatos se encontram ali.

Sempre que eu E meu bolso podemos, vamos à feira pra comer um baião de dois domingueiro. O macete é o seguinte: o baião mais barato (nas barracas perto da praça Roberto Silveira) custa R$13,50, variando entre 15 e 17 merréis. Eu sempre mando o caô, meio verdadeiro, de que eu como pouco e se eles podem fazer um baião de dez, ou seja, por 10 pilas. Sempre cola; o cara quer vender e eu peço com jeitinho. E é isso, estar naquela feira, curtindo os sons e as figuras surpreendentes que surgem por aquela espécie de centro universal me dá sempre uma sensação de identidade incrível!

O futuro (que é também a verdade do passado) está no presente daquele balé comercial nas ruas do centro de Duque de Caxias aos domingos. E apesar de estarmos tão perto do buraco negro que é o Rio de Janeiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Buraco_negro) essa feira insiste em ser o que é: uma estrela que brilha alimentando de luz o espaço a seu redor.

E ainda que se consiga comprar alguns bichinhos silvestres ilegalmente na feira, ela se mostra a verdade do mundo que a cerca; sem vitrines, ar condicionado e escadas rolantes. O telhado da feira é o céu da cidade e o piso é a rua onde a vida se dá…

 

Feira de Caxias. Foto: Marcio Leandro

marciobertoni@gmail.com


Márcio Bertoni

Estudante de Geografia, video maker e comunicador.

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